A arrecadação das receitas federais no ano de 2022 foi de mais de R$ 2,2 trilhões. Este valor representou um recorde histórico – o melhor desempenho do indicador desde 1995, ano que marca o início da série histórica mantida pela Receita Federal.

O ano passado foi marcado, portanto, pela maior arrecadação de recursos nos cofres públicos desde a criação do Plano Real.

Agora, nós temos os dados do mês de janeiro de 2023 e, com eles, um novo recorde: foram R$ 251 bilhões no primeiro mês deste novo ano, ultrapassando a já impressionante marca obtida em janeiro passado.

 

O impulso vem do campo e das minas

“Estamos sofrendo a interferência de diversos fatores positivos que alavancaram a arrecadação e a colocaram em novo patamar”, afirmou o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias.

Ele explica que os sucessivos recordes foram “obtidos graças ao desempenho das commodities, que sofrem interferência não da demanda agregada interna, mas da demanda externa e também da cotação de preços externa. Nós não interferimos no preço. O preço é dado pelo mercado internacional”.

Commodities (para quem não sabe) são, neste caso, produtos primários exportados em grande quantidade.

A série de recordes na arrecadação vem sendo sustentada, principalmente, pelo desempenho das commodities minerais (metálicas, como o ferro, e não metálicas), e também pela produção agrícola (soja, milho, carnes, etc.).

 

Prognósticos para o futuro

Segundo Malaquias, as projeções para o resto de 2023 dependem do comportamento das commodities no mercado internacional. Ele explica que o cenário global está vivendo um momento de incerteza, com vários países desenvolvidos passando por ciclos inflacionários.

Os governos destes países estão tentando conter suas inflações com políticas de juros e medidas de austeridade que podem, nos próximos meses, “levar à contração da atividade econômica”, o que seria péssimo para o Brasil.

Por outro lado, existem algumas possibilidades de contraponto a esta expectativa preocupante. Uma delas é a retomada da exportação de carne para a China, negociada com sucesso ainda nesta semana.

Por conta de todos estes fatores, o próprio Claudemir afirma que ainda é muito cedo para fazer “leituras” com algum grau de certeza.