Mais uma vez, Kerri Maniscalco escreve um romance para os fortes. A cada crime, um novo arrepio; a cada autópsia, uma náusea
Cinco assassinatos, um desaparecimento e um roubo a bordo do navio Etruria, e quase nenhuma pista. É com esse panorama que Audrey Rose e Thomas Cresswell se deparam em O grande Houdini, terceiro volume da série “Rastro de Sangue”, escrita por Kerri Maniscalco.
Tudo começa no ano-novo de 1889. Os passageiros aguardam o início da primeira apresentação do Festival Enluarado, criado pelo misterioso Mefistófeles, nome retirado de uma lenda sobre um demônio conhecido por roubar a alma de pessoas corrompidas, usando truques de mágica e trapaças, segundo explica o capitão do navio.
A introdução do espetáculo impressiona a todos com os arriscados truques de Mefistófeles, que interage com o público para deixá-lo ansioso para as próximas apresentações. É durante uma dessas interações, quando todas as luzes se apagam, que algo inimaginável acontece: Olívia Prescott, a filha do magistrado-chefe, é assassinada com profundas facadas nas costas. Cravada em uma das facas, bem no centro da coluna da vítima, uma carta de baralho.
Muitos passageiros acham que isso é apenas mais uma ilusão do show, mas Audrey e Thomas sabem que não. Há um assassino a bordo e eles não podem perder tempo se quiserem pegá-lo. Afinal, em sete dias o navio aportará em Nova Iorque e, se o culpado não for pego antes disso, escapará impune.
Mais uma vez, Kerri Maniscalco escreve um romance para os fortes. A cada crime, um novo arrepio; a cada autópsia, uma náusea. As descrições detalhadas sobre o estado dos corpos, o que aconteceu com eles e os procedimentos utilizados para determinar as causas das mortes permitem que a mente do leitor crie imagens com alto grau de realidade. A única crítica que faço é quanto à participação de Houdini, que considero decepcionante quando comparo com como os personagens que dão nome aos volumes anteriores são explorados. A presença de alguém com tanto peso, que se tornou uma lenda por suas fugas consideradas impossíveis, merecia ter sido melhor explorada.
Referência:
MANISCALCO, Kerri. O grande Houdini. Tradução de Nilsen Silva. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2020. 416p. (Rastro de Sangue; 3)
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