Rombo dos Correios, mais uma dívida para o contribuinte pagar
Darcy Francisco Carvalho dos Santos*
“Os déficits desta autarquia crescem a cada ano, totalizando, desde 2023, R$ 7,5 bilhões”
Crédito: Arquivo pessoal
A imprensa do centro do país tem denunciado o déficit sem precedentes das estatais federais – exceto a Petrobras, que não entra nesta conta –, na ordem de R$ 8,9 bilhões nos 12 meses contados até agosto do corrente ano. O mais alarmante, no entanto, é o déficit dos Correios, de R$ 4,3 bilhões só no 1º semestre de 2025. Os déficits desta autarquia crescem a cada ano, totalizando, desde 2023, R$ 7,5 bilhões. E isso não fica só no déficit. A União, já deficitária, tem que repassar subvenções para cobrir essa defasagem.
A receita despencou. Segundo informação da Autarquia, a principal queda decorreu das encomendas internacionais, cuja arrecadação caiu, impactada pelo caso das “blusinhas”, porque o governo passou a tributar compras estrangeiras de até US$ 50, reduzindo, com isso, o volume de postagens vindas do exterior. Atribuem, também, ao governo anterior, no que não se vê muita lógica.
Mesmo com essa queda de receita, a despesa continuou crescendo, com reajustes salariais a 55 mil funcionários, precatórios judiciais, pagamento de dívidas trabalhistas e crescimento das despesas administrativas. Para resolver ou amenizar esse problema, os Correios vão contrair R$ 20 bilhões de empréstimos no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e em bancos particulares, com garantia do Governo Federal. Nesta parte é que mora o perigo: quem vai acabar pagando é o contribuinte, com os impostos que recolhe ao governo.
Como um órgão que apresenta déficits crescentes desde 2023, de uma hora pra outra, vai zerar seus déficits e formar uma poupança para pagar as prestações dessa dívida? Isso só seria possível se fosse feito um grande ajuste fiscal, com redução de pessoal e de outras despesas, mas o governo atual é contra o corte de gastos.
Prova disso é que a dívida bruta do setor público, em que a maior parte é da União, cresceu no atual governo, até julho deste ano, R$ 2,3 trilhões, 5,9 pontos percentuais do PIB. Duas causas explicam esse fato: formação de déficit primário, quando deveria ser superávit, e altos juros, ambos os fatores decorrentes do excesso de gastos.
A continuar essa política, o país vai entrar numa situação de muito difícil saída, cujas causas vêm sendo escondidas na propaganda oficial e nos “voos de galinha” da economia.
*Economista, especialista em finanças públicas – CoreconRS nº 3.755
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