Comunidade escolar se mobiliza por aulas noturnas no Dinarte Ribeiro

Tema foi discutido em reunião da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, que contou com a participação remota do vice-diretor da instituição, Marcos Mesquita, além de pais, alunos e professores, e do vereador Giordano Borba

Comunidade escolar se mobiliza por ensino médio noturno no Dinarte Ribeiro_crédito CHRISTIANO ERCOLANI
Crédito: Christiano Ercolani

O retorno da oferta da modalidade do ensino médio noturno no Instituto Estadual de Educação Dinarte Ribeiro mobilizou a comunidade escolar, que levou a demanda à Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa (ALRS) hoje (11). O requerimento para a participação dos representantes da escola no encontro do colegiado foi apresentado pelo deputado estadual Valdeci Oliveira (PT), a partir de solicitação do vereador Giordano Borba (PT), ex-aluno do Instituto, e da comunidade escolar.

– Temos um problema na nossa cidade, pois a maior parte dos nossos jovens são alunos do ensino médio e precisam trabalhar, fazer seus estágios na parte da tarde, e não podem optar pelo modo integral – explicou o professor Marcos Mesquita, vice-diretor do Dinarte Ribeiro e que participou de forma remota da reunião, junto a dezenas de pais, alunos e professores, além do vereador Giordano.

Na reunião, o deputado Valdeci Oliveira defendeu que esta é uma reivindicação justa e legitima.

– Já vivenciamos inúmeros casos de fechamento de escolas, de turmas, de cursos e de turnos, o que sempre é problemático. Vamos fazer a interlocução com a Secretaria Estadual de Educação [Seduc]. A comunidade está pedindo algo absolutamente importante e necessário para que os jovens não saiam da escola por conta do trabalho ou do estágio. E isso é algo que nos unifica. Para poder trabalhar e estudar é preciso oferecer oportunidades. Esperamos sensibilizar o Governo do Estado e a Seduc – assegurou.

De acordo com a presidenta em exercício da Comissão de Educação da ALRS, deputada Sofia Cavedon (PT), uma pesquisa do Observatório da Educação mostra que, no estado, 44% dos jovens entre 15 e 29 anos estão apenas trabalhando porque não há compatibilidade entre trabalho e estudo. Para ela, a postura do governo tem sido de não escutar a vida real.

Segundo Marcos Mesquita, o Instituto Dinarte Ribeiro chegou a ter entre 10 e 12 turmas de 1º ao 3º ano do ensino médio, mas hoje conta com apenas uma para cada série, durante o dia, totalizando pouco mais de 50 alunos. Por isso, os estudantes que residem no entorno do Centro, próximo ao Bairro Floresta precisam atravessar a cidade e se deslocar a outra escola, já que não há oferta de vagas na instituição em modalidade que não seja o ensino integral.

– Somos uma escola grande e, ao mesmo tempo, bem pequena, em termos de ocupação do seu uso. Nos últimos anos, registramos uma perda de cerca de 70% dos alunos que cursavam o ensino médio, situação que teve início com a pandemia e que se agravou depois, por conta da implementação do turno integral e da extinção das aulas à noite – disse.

Também conforme Mesquita, um ofício solicitando a reabertura das aulas à noite já foi enviado à 13ª Coordenadoria Regional de Educação, da qual Caçapava faz parte, mas foi negado, por conta do modelo da escola.

– Já temos uma lista de 15 alunos, o que abriria a possibilidade de, ao menos, uma turma. E temos o conhecimento de que existem outras escolas de tempo integral no estado que possuem, inclusive, o EJA [Educação de Jovens e Adultos] noturno. Esse pedido da comunidade seria bom para a nossa região e, também, para a manutenção da própria vida da nossa escola – afirmou o vice-diretor, lembrando que a modalidade estava em prática até 2022, com boa frequência de estudantes.

Os representantes da comunidade escolar se comprometeram a encaminhar à Comissão de Educação da ALRS o abaixo-assinado em defesa do retorno da modalidade noturna no Instituto Dinarte Ribeiro, para que o colegiado intermedeie uma audiência com a subsecretária de Desenvolvimento de Vagas da Seduc.

Texto: Ascom Valdeci Oliveira – adaptado