No mês da Consciência Negra, o projeto realizou rodas de conversa e saraus, em espaços culturais e educacionais, reforçando a presença e a resistência da população afrodescendente no município
Novembro é dedicado à Consciência Negra, um período de reconhecimento e valorização das histórias, das identidades e das contribuições da população afrodescendente brasileira. Em Caçapava, as ações promovidas pelo projeto Mapeamento dos Pontos de Memória Negra no Geoparque Caçapava celebraram a ancestralidade e a cultura afro-brasileira, por meio de encontros que uniram arte, educação e memória coletiva.
As atividades tiveram início no dia 13, com a Roda de Memória “Os Lanceiros Negros e o Direito de Existir: Memória, Luta e Identidade no Pampa”, realizada no Clube Recreativo Harmonia. O encontro abordou a trajetória dos Lanceiros Negros, símbolo de resistência e luta por liberdade no Rio Grande do Sul. A mediação foi do professor Fernando Lopes da Silva, com participação de Serginho Ubirajara, do Grupo Lanceiros Negros de Caxias do Sul, que compartilhou saberes sobre a importância histórica e contemporânea dos Lanceiros como expressão da identidade negra no Pampa.
Nos dias 26 e 28 de novembro, o projeto realizou duas edições do Sarau de Memória “Memórias Interculturais da Negritude”, no CTG Heróis do Seival e no Instituto Estadual de Educação Dinarte Ribeiro. Os eventos reuniram diferentes linguagens artísticas, como slam (poesia falada), rap, dança e intervenções poéticas, criando um espaço de celebração da arte e da ancestralidade.
Participaram os artistas e produtores culturais locais Artie Alika, Alessandro Dorneles (AD Danças Urbanas) e Ana Clara Santos Neris, que encantou o público com suas poesias autorais. Os encontros também contaram com um Mural de Memórias, espaço dedicado às mulheres ancestrais das famílias e das comunidades, reafirmando a memória como instrumento de resistência e identidade.
De acordo com o professor Fernando da Silva Lopes, o Sarau foi um momento de reencontro com as origens e de reflexão coletiva.
– Foi lindo demais conhecer histórias de vida, retomar algo que muitas vezes foi esquecido, um grande movimento circular para conversarmos com nós mesmos – destacou.
Encerrando o mês, nos dias 26 e 27, Caçapava foi representada em Brasília, no Seminário Rotas Negras – Memória, Território e Futuro nas Políticas para a População Negra, promovido pelo Ministério da Igualdade Racial. A coordenadora Municipal de Promoção da Igualdade Racial e produtora cultural Cátia Cilene Morais Dutra, também diretora do projeto Mapeamento dos Pontos de Memória Negra no Geoparque Caçapava, participou de debates sobre desenvolvimento quilombola, turismo de base comunitária e políticas de memória.
Durante o encontro, Cátia apresentou o Mapeamento, fortalecendo o diálogo com universidades, coletivos culturais e comunidades tradicionais. Para ela, o projeto é uma ação de valorização da história local e de afirmação da identidade negra.
– Mapear os pontos de memória negra é restaurar o legado da comunidade negra na construção da nossa cultura e garantir o direito de contar a própria história – afirmou.
Sobre o projeto
Realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, o projeto Mapeamento dos Pontos de Memória Negra no Geoparque Caçapava tem como objetivo identificar, registrar e dar visibilidade aos espaços, monumentos e trajetórias que compõem a história da população negra no município.
A iniciativa combina pesquisa, escuta comunitária e educação patrimonial, conectando o reconhecimento histórico à valorização do território, especialmente após a obtenção da certificação de Geoparque junto à Unesco. O projeto vem se consolidando como uma referência estadual na promoção da memória afro-brasileira e na construção de políticas de pertencimento e identidade no Pampa Gaúcho.
Texto: João Victor Rodrigues/Ascom – adaptado