“Alguns dirão que escrevo desencantado com o mundo e os seus habitantes ditos racionais, que sou pessimista quanto ao futuro e que me ponho desagradável aos olhos dos otimistas leitores ingênuos quanto às agruras da vida”
Quarta-feira será 1º de janeiro de 2026. Talvez alguém esteja se dando ao trabalho de ler esta croniqueta com alguma curiosidade a respeito do tema repetido a cada 365 dias, rotineiramente. Pelo menos mudo e alterno o título do texto. É a primeira vez que escrevo sobre o ano vindouro, quando espero comemorar 76 janeiros de existência, mas será em 05 de maio, esclareço a todos.
Na verdade, são convenções sociais ou existenciais criadas ao longo da história para ordenar a vida das pessoas pelo mundo afora com alguma organização. Porque gente, minha gente, é pior que bicho quanto à convivência e aos interesses pessoais de todo o tipo. Talvez seja por isso mesmo que descobriram o tal “efeito manada” para definir alguns comportamentos intuitivos de certas multidões.
Mas, de per si, também o bicho homem consegue se superar, ultrapassando inúmeros limites demarcados pelas normas sociais. Roubam, matam, guerreiam, estupram inocentes, desrespeitam a natureza e muito mais. Não há limites para a bestialidade humana. E a cada inicio de mais uma virada do calendário, lá nos vamos orar, pedir, suplicar, torcer e bradar para que o próximo ANO NOVO seja de paz, amor e compaixão.
Porém não o será para todos. Até já sabemos disso, mas sempre nos iludimos com os nossos próprios desejos e chegamos a acreditar, no embalo de um espumante adocicado, que o nosso ano vindouro será doce para todos.
Alguns dirão que escrevo desencantado com o mundo e com os seus habitantes ditos racionais, que sou pessimista quanto ao futuro e que, numa hora dessas de amor e celebrações, me ponho desagradável aos olhos dos otimistas leitores ingênuos quanto às agruras da vida.
Dizem que o diabo não é diabo porque é mau, mas porque é velho…
Enquanto isso, continuamos erguendo muros para nos proteger dos nossos medos, cada vez mais assustados com ameaças de feminicídios, de homofobias, de olhares censuradores, de palavras maledicentes, de denúncias apócrifas, etc. Medo dos golpes pelas redes sociais, das pessoas estranhas, dos cobradores inconvenientes, dos invejosos reais ou imaginários. Enfim, com medo das outras pessoas semelhantes a nós, com inseguranças de igual fundamentação, nessa simbiose enlouquecedora em que vivemos.
E se nós brasileiros não gostamos de guerras belicosas, temos suficiente e rica imaginação para criar outras disputas existenciais através da política, da religião, do esporte saudável que deveria ser o futebol, com suas batalhas entre torcidas fanáticas e desvirtuadas, e pouco ligamos para uma delas, deletéria e destruidora: a luta contra a fome, que invade a casa de mais de seis milhões de brasileiros. Embora a propaganda oficial já tenha acabado com ela.
Apesar de tudo, FELIZ ANO NOVO DE 2026.