“Lá, a engenharia do Exército laborava e, em 1979, no posto de capitão, asfaltamos o primeiro quilômetro daquela estrada, ao sul de Boa Vista, com uma usina de asfalto instalada na cidade de Mucajaí”
Morei duas vezes em Boa Vista (RR), em 1974-75 e 1978-80. O estado faz fronteira com a Venezuela, e a capital está distante 220 quilômetros do marco BV8 (cidade de Pacaraima), pela BR 174, ainda de terra batida naquela época. Lá, a engenharia do Exército laborava e, em 1979, no posto de capitão, asfaltamos o primeiro quilômetro daquela estrada, ao sul de Boa Vista, com uma usina de asfalto instalada na cidade de Mucajaí.
Dava bastante trabalho o grande número de caminhões madeireiros americanos (cerca de 20 por dia), com carroceria de aço, que os venezuelanos importavam e utilizavam para seus carretos. Nos tempos de chuvarada, no inverno do extremo Norte, era um sem número de atoleiros, bueiros levados pelas águas e pontilhões de madeira danificados.
Havia, naquela região, do lado brasileiro, o emprego de cimento russo, que eles nos vendiam, e um refrigerante semelhante a nossa antiga gasosa, que as crianças muito apreciavam e que se chamava Frescolita.
Havia muita riqueza naquele país vizinho, e muitos brasileiros cruzavam a fronteira diariamente, para comprar na cidade de Santa Helena de Uairén, que ficava 15 quilômetros distante do marco divisório.
Depois, veio a malfadada Revolução Bolivariana, de cunho socialista, aliada da Cuba de Fidel Castro, comandada pelo Coronel Hugo Chávez, que morreu de câncer em 2013, deixando designado Nicolás Maduro como seu sucessor continuísta.
Maduro perseguiu adversários políticos, meteu-se ou fez vista grossa para o narcotráfico, praticou corrupção, desrespeitou direitos humanos de seu povo, empobreceu o seu rico pais – que, aliás, possui as maiores reservas mundiais de petróleo e faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo –, fraudou eleições e tentou perpetuar-se no poder com mão de ferro e comportamento bufão. Mais de 600 mil venezuelanos entraram e pediram visto para morar no Brasil, fugindo do regime ditatorial e repressivo. Fugindo da fome.
Na madrugada de 03 de janeiro de 2026, em um golpe de mão espetacular, foi arrestado pelo exército de Donald Trump, sob alegação de ser chefe de Cartel Internacional de Drogas (Cartel de los Soles) e de uma série de acusações outras, relacionadas ao narcotráfico e que prejudicariam os interesses americanos na região.
O nosso presidente Lula, simpatizante do governo e da política fratricida de Chávez e de Maduro, declarou apoio diversas vezes ao líder socialista do Caribe a, após a sua prisão, censurou, através de nota oficial, a atitude americana, discordando de uma nova intervenção internacional armada em um país soberano.
Ninguém, em sã consciência política a nível mundial, vai dispensar qualquer importância ou se preocupar com essas declarações do nosso governo. O Lula vai, mais uma vez, usar a sua verve para fazer campanha política, já de olho nas eleições do ano que vem. Esse papo da propaganda oficial de que o “Brasil é do povo brasileiro” só serve para enganar os mal informados ou os petistas de carteirinha, que ainda acreditam na seriedade das boas intensões dos governos ditos populares.
É claro que os EUA têm interesse no petróleo da Venezuela e pretendem cobrar a conta das nacionalizações operadas por Chávez quando se apossou de empresas e de equipamentos de exploração americanos. Não dá para achar que o tal de Maduro era gente boa. E como me disse um amigo que encontrei no supermercado: Bah! Foram lá e “pegaram o homem à unha” dentro de casa.