Com fome de lobisomem

“As mídias, muito bem encabeçadas, têm fome de sensacionalismos a qualquer custo, para vender e ganhar mais dinheiro. Fala-se em regulamentar as mídias sociais. Será que vai ajudar a frear a ignorância que ainda domina a maioria?”

Talvez lobisomens nem existam. Não sei. O Mano Lima canta um tal de lobisomem do arvoredo.

Será que Deus existe? E será verdade que é mesmo brasileiro, como dizem? O Papa, eu sei que existe, o tal Bispo de Roma. Não faz muito tempo que deixaram de escolher apenas os cardeais italianos para ocupar o trono de São Pedro. Já houve um Papa polonês, um argentino e, agora, um meio americano, meio peruano. Daqui a pouco, com certeza, teremos um africano, porque na “política” do Vaticano é preciso universalizar ainda mais a igreja católica.

Recentemente, li um livro sobre a história do Egito e descobri que, lá pelos anos 300 depois de Cristo, três séculos depois de Jesus ser crucificado pelos romanos, os cristãos ainda não haviam se consolidado e andavam buscando o seu espaço assim como os judeus, lá pelas arábias.

Quem nasce no Brasil, ao ser batizado, deixa de ser pagão e já recebe a incumbência de praticar o catolicismo, mas nem sempre foi assim no resto do mundo. Aqui mesmo, já proliferam e prosperam outras crenças perante a necessidade de adotar “uma fé” para justificar o fim da existência. Precisamos encontrar um significado para a vida terrena e acreditamos em outras existências, em lugares e espaços indefinidos. O céu de cada um, o paraíso, obedece às crenças que cultuam.

Nessas circunstâncias, crescem os falsos profetas, exploradores das fraquezas humanas, criadores de novas “religiões”. Pelo menos, já alcançamos o patamar de saber que milagres não existem. Muito embora a Igreja Católica Apostólica Romana esteja se transformando na maior fábrica de santos da história da humanidade. Sempre existe um processo de canonização para servir de bom exemplo. Seria conveniente que as pessoas lessem O advogado do diabo, do escritor australiano Morris West, que trata deste assunto com profundidade.

E a justiça dos homens existe para todos? Para arbitrar as relações sociais e democratizar oportunidades, colocando-as ao alcance dos mais fracos, já que os mais fortes podem pagar para manter os seus direitos, adquiridos ou herdados, seja lá do jeito que for.

Vivemos um tempo de execração das pessoas, da justiça pelas próprias mãos e do domínio da mídia massiva, que faz a cabeça dos incautos, manipulados e subjugados a custos elevados. Na política, e às custas dela, crápulas e escroques encastelados sob pseudônimos diversos e abrigados sob discursos encantadores falsificam currículos, construindo narrativas e versões na busca permanente de conquistar ou manter um poder relativo.

A quem interessaria passar para a sociedade a ideia de que todos os políticos são corruptos e malcheirosos? Que não sabem tratar das coisas públicas e não existe mais idealismos, sonhos de servir e boas intenções no coração ou na mente da gente de bem? São minoritários, mas ainda existem.

Li, há poucos dias, a entrevista de um renomado cidadão acadêmico, de performance nacional, declarando que o mundo atual está sendo influenciado, ou até mesmo governado, pelos grandes grupos econômicos internacionais. Não duvidei, haja vista o grande número de quebradeiras de países pelo mundo afora e a enorme dificuldade para dar sobrevida aos diversos blocos regionais que não decolam suas relações e freiam o desenvolvimento humano de sua gente.

Por épocas, se demoniza o capitalismo; noutro dia, se exorciza o socialismo. E os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez tendo de trabalhar mais para sobreviver. Nosso Brasil evoluiu enormemente nos últimos cinquenta anos. Em todas as áreas. Nos tornamos grandes produtores de petróleo e exportadores de ponta de produtos agrícolas. Nosso agronegócio tropeça apenas na logística, e isto atrapalha nosso mercado de ser ainda mais competitivo em escala mundial.

Neste século, já alcançamos dar de comer para uma grande massa historicamente marginalizada com a ocorrência da urbanização desenfreada, consequência da industrialização global da segunda metade do século passado. A maior parte do continente africano, por enquanto, continua atrasada em relação à média do mundo.

Será que lobisomem e mula sem cabeça ainda existem? Ou serão as lendas antigas que estão se transformando para enganar os inocentes?

As mídias, muito bem encabeçadas, têm fome de sensacionalismos a qualquer custo, para vender e ganhar mais dinheiro. Fala-se em regulamentar as mídias sociais. Será que vai ajudar a frear a ignorância que ainda domina a maioria?

Uma das piores mazelas da atualidade é a cultura da internet, das redes sociais, na qual qualquer imbecil vira filósofo de araque. Ela distorce e ilude ao mesmo tempo, nivelando “vozes” e invadindo privacidades.