“Turistas não faltaram, e as placas de carros argentinos e uruguaios tomavam conta das rodovias. Por sinal, desta vez, nenhum motorista esqueceu a mulher em posto de gasolina”
É preciso abrir as janelas e deixar o ar novo entrar. Nos canteiros à frente do meu quarto, as “funcionárias públicas” já abriram suas corolas, e me sinto saudada na minha volta ao lar. São flores, margaridas coloridas, que só abrem depois das nove horas e fecham a partir das dezesseis – daí seu apelido. E nos dias chuvosos, nem se dignam a aparecer…
Mais perto do portão de entrada, as dálias rajadas se multiplicaram e cresceram. Estão lindas, graças aos cuidados de minha acompanhante, que não deixou de regá-las e adubá-las. Descobri na net que cascas de ovo são ótimos fertilizantes e provei que é verdade.
Num dos filmes a que assisti nas férias, um judeu, que perdera toda a família no Holocausto, conservava um único afeto: uma roseira de flores pretas, que ele religiosamente regava e adubava com cascas de ovo esmigalhadas.
Apesar de variadas programações de séries e filmes – argentinos, espanhóis, turcos e coreanos –, estive sempre atenta aos noticiários nacionais e internacionais. E os assuntos se repetiam dentro da realidade: feminicídios em alta, sequestros, assaltos, gangues dominando territórios nas favelas e importunando banhistas das melhores praias do Rio, tumultuando estradas e ruas de S. Paulo e tentando tirar o brilho de nosso Carnaval.
Turistas não faltaram, e as placas de carros argentinos e uruguaios tomavam conta das rodovias. Por sinal, desta vez, nenhum motorista esqueceu a mulher em posto de gasolina.
Mas a beleza e a criatividade dos carros alegóricos, das fantasias dos foliões, de seu embalo contagiante, no Rio, em S. Paulo, em Pernambuco, em outras capitais e cidades, em Porto Alegre e na Terra dos Farrapos, a tragédia não ficou de fora. E a morte de nosso conterrâneo, jovem pai de família, trabalhador, foi uma tarja preta que nos entristeceu e revoltou.
Nosso povo, no Brasil todo, é alegre, bom amigo, solidário, mas há muito joio entre a seara, e os justos é que sofrem.
Tive uma bela amostra de nossos desfiles, das fantasias e da criatividade dos blocos, da beleza de rainhas e princesas, tudo na santa paz do Pavilhão bem policiado e com a presença de nossas autoridades municipais.
Mas, depois de um bom descanso, do carinhoso convívio com filhos, noras e netos, aqui estou novamente, para tomar conta de mim e de meus deveres.
É bom estar de volta.