Sempre ao lado

“Sem a Mulher, o mundo acabaria”

No supermercado, na rua, em lojas, por onde eu ando, observo casais de meia-idade, em seu andar costumeiro: ele à frente, ela apressando o passo para não ficar muito atrás. Nas gôndolas, ele escolhe a erva-mate e o tipo de café de seu agrado – talvez uma cervejinha, vinho ou cachaça para a caipirinha de aperitivo –, e deixa os demais produtos de alimentação e limpeza para sua consorte. Mesmo assim, antes de colocar os ingredientes no carrinho ou na cesta, ela olha timidamente o marido buscando sua aprovação.

São retratos de eras passadas, do machismo e da submissão feminina que ainda teimam em subsistir. Mas a era das cavernas, do homem todo-poderoso puxar os cabelos da mulher para segui-lo, vai longe, muito longe.

Se Deus criou Eva de uma costela de Adão para ser a sua companheira, não foi para humilhá-la, mas para alegrar sua vida e participar de todos os momentos. De um modo diferente, é verdade, mas prazeroso. Ela dava nome às flores e aos animais, e chamava a atenção para o meio ambiente, ampliando a vista do homem para a Criação.

Mas a Mulher, depois do pecado, teve muita culpa a expiar. Remorso, ressentimento do marido, perda do filho querido nas mãos do irmão invejoso. E trabalho, trabalho pesado para sobreviver e dar condições saudáveis à família.

Por séculos e séculos, a Mulher foi considerada objeto do homem. Para seu prazer e conforto. Descartável, quando perdia seus encantos. Entretanto, a alma feminina sempre lutou contra a escravidão. Heroínas e mártires surgiram em todos os tempos. E hoje ela se equipara ao companheiro como arrimo de família. Pode votar e ser votada, ser chefe de empresas ou profissional onde requeiram suas habilidades. Mas suas virtudes hoje reconhecidas lhes acarretam grandes sofrimentos. O Homem, por um ressentimento atávico, não se conforma com sua ascensão nem com o abandono, e o feminicídio é a sua resposta.

Neste Dia da Mulher, peço a Deus que abençoe todos os lares, daqui e de além-mar, para que o amor seja compartilhado entre pais e filhos, com respeito, mútua admiração e carinho por todos os seus membros.

Cada um, em sua casa, tem seus deveres peculiares. Como uma máquina cuja engrenagem se ajusta em seu lugar e sua função. E cabe à Mulher o óleo que lubrifica as peças, dando-lhes a força capaz de produzir os resultados almejados. A Mulher é flor que enfeita, calor que aquece, amor que estreita os laços familiares, dando ao lar a categoria de melhor lugar do mundo.

Sem a Mulher, o mundo acabaria.