“Certo dia, o assunto foi acalorado. A receita de uma sobremesa tão apreciada nas festas da família – por incrível que pareça – guardava uma história de amor traído e uma imensa desilusão”
Um mês cheio de aniversários e de acontecimentos na família. Todo dia, uma novidade mais. E como lembrar todas as datas? Bem difícil é guardar os aniversários dos menores. Minha caderneta de anotações sumiu.
Mas a memória está sempre pronta a descobrir fatos passados, quem casou com quem e onde estarão seus filhos e netos agora.
À mesa do café da tarde, senhoras apresentam seus dons culinários. Uma cuca de banana, um pastel recheado de qualquer coisa, legumes, doce de leite… Então, a conversa vai retrocedendo para lembrar as antigas donas de tais receitas.
Quanta coisa se descobre, que a maioria das convivas não conhecia. Os mais idosos têm seus minutos de glória. Eles vão fundo no baú das lembranças, e o que aconteceu depois, com as novas gerações, os mais novos é que sabem o seu destino.
Certo dia, o assunto foi acalorado. A receita de uma sobremesa tão apreciada nas festas da família – por incrível que pareça – guardava uma história de amor traído e uma imensa desilusão. “Quem diria, comentavam as senhoras daquela época, que uma mulher tão prendada fosse trair o marido?!”.
A “pecadora” desapareceu da cidade. E seu parceiro de adultério abandonou-a e voltou para a esposa.
Então, ficamos refletindo sobre o episódio da adúltera que seria apedrejada, segundo as leis daquela época, e que Jesus perdoou, mandando que a apedrejasse quem não tinha nenhum pecado. Ninguém falou no seu cúmplice. Ele devia até estar entre os homens que a condenavam.
Daí, foram lembrados muitos casos de famílias antigas em que ao homem cabia o direito de ter amantes, mas à mulher, o castigo era a própria vida. Como nas novelas da Globo. E o feminicídio, o abandono de menores e de idosos, as guerras, a fome, as pandemias e a agonia do Planeta vieram a baile. E um minuto de silêncio quebrou a alegria daquele encontro.
Mas novas datas serão relembradas. Com festa e gratidão pela vida e por haver ainda muitos corações compadecidos e prontos para ajudar quem precisa. Sem preconceito, sem julgar, com solidariedade e humanidade.
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