Fica sempre faltando

“O melhor da festa foi sentir meus filhos e minha netinha bem felizes e amorosos. Que vontade de conservá-los sempre junto de mim! Mas eles crescem, formam suas famílias, e a vida recomeça com os netos queridos”

Admiro a perfeição. Nos gestos, nas palavras, nos arranjos. E, especialmente, no preparo de eventos, como a reunião de família no Dia das Mães.

Entretanto, por mais que eu planeje e providencie os ingredientes das receitas para as refeições, sempre esqueço algo que vai fazer falta e que preciso improvisar. Desta vez, a casa bem enfeitada, ladrilhos do pátio e da entrada recuperados por hábil pedreiro, faltou a vinda do jardineiro para dar um trato na grama e nos canteiros. Desta vez, a culpa não foi minha. Chamei, chamei, mas não fui atendida. Mesmo assim, as flores deram um belo espetáculo.

Tudo bem, o melhor da festa foi sentir meus filhos e minha netinha bem felizes e amorosos. Que vontade de conservá-los sempre junto de mim! Mas eles crescem, formam suas famílias, e a vida recomeça com os netos queridos.

O fato de esquecer, muitas vezes, o que vou buscar na sala, no quarto, ou em outro lugar é algo que já deixou de preocupar-me. A Medicina garante que, por si só, não é sintoma de demência ou Alzheimer. Pode acontecer em qualquer idade, devido à carga de informações que guardamos no cérebro ao mesmo tempo.

Mas precisamos exercitar a memória com atividades que façam pensar, lembrar, guardar. O melhor de tudo é ter com quem falar. Quem vive sozinho corre maior risco de apagar a memória, entrar em depressão, perder o sentido da vida.

Por isso e muito mais, agradeço ao meu grupo de amigas, com suas mensagens diárias de ânimo e de afeto. E as nossas reuniões mensais para o café da tarde, quando só se fala em assuntos agradáveis, incluindo o anedotário que cada uma tem de sua família. Só recordamos o que nos faz felizes, nada de saudosismos. Se perdemos o amor de nossa vida, ficamos com as boas lembranças e a gratidão por seu afeto e os momentos felizes. Nessas ocasiões, rimos e sorrimos bastante.

Quanto à perfeição das donas de casa, que não esquecem nada, mas são fanáticas por seu sistema, elas vão ficando ranzinzas e, dificilmente, conservam auxiliares por mais de três meses.

Meu medo é de que minha acompanhante mais antiga resolva aposentar-se por idade. O que será de mim sem ela, que conhece mais do que eu os meandros de minha casa?!

A todas as domésticas brasileiras, faço votos para que o projeto dos 5 dias seja aprovado, e assim lhes sobre mais tempo para a própria família.

O que farei nos sábados, sozinha? Deus proverá.