A cultura de matriz africana na construção da identidade cultural caçapavana

Clube Harmonia começa a divulgar livro e documentário que contam a história da entidade

Evento Harmonia 20-01-24
Crédito: Jonas Muller;Divulgação

O Clube Recreativo Harmonia realizou, na tarde de sábado (20), o pré-lançamento do livro Clube Recreativo Harmonia: um espaço de resistência no Rio Grande do Sul, e o lançamento do documentário “Quem conta uma história, aumenta um ponto na memória do Harmonia”. Ambos fazem parte do projeto Harmonia: memórias cruzadas e histórias vividas, financiado pelo Pró-Cultura RS, do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Cultura. Segundo a lista de presença, 52 membros da comunidade caçapavana prestigiaram o evento, que ocorreu na sede da entidade.

O livro, que é organizado pela presidente do Clube, Cátia Cilene Morais Dutra; pela jornalista Arianne Teixeira Lima de Paula; pelo pesquisador e graduando em História, André Ramir da Silva; e pela professora Deise Lisiane Soares Luiz, estará à venda apenas após o lançamento oficial. A data deve ser anunciada nos próximos dias. Já o documentário foi produzido por Cátia Cilene, Jonas Muller Lopes, Jean Oliveira Lopes e pela empresa Start Produções.

De acordo com a presidente do Harmonia, as duas obras buscam promover a preservação do patrimônio e do acervo da entidade, bem como o reconhecimento da contribuição da cultura de matriz africana na construção da identidade cultural de Caçapava.

– O livro traduz um pouco o que a comunidade negra vem vivenciando, especialmente a partir do período de pós-abolição. Procuramos sensibilizar a população de Caçapava e do Estado, mostrando a presença do negro nessa história, alinhada a esses lugares de memórias que são os clubes sociais negros. Os clubes tiveram um papel essencial na preservação da identidade cultural negra, então, o livro traz aspectos que fortalecem esse reconhecimento e a construção da identidade cultural, especialmente aqui de Caçapava – comenta.

Além de conter 10 artigos de diversos autores negros, Clube Recreativo Harmonia: um espaço de resistência no Rio Grande do Sul traz registros fotográficos da entidade.

– Ao longo da pesquisa, conseguimos encontrar essas imagens e, através delas, reavivar as memórias, os fatos, os acontecimentos, as lutas e as reivindicações. Além disso, pudemos apresentar o impacto que o Geoparque vem causando dentro da comunidade negra. O Clube Recreativo Harmonia é um apoiador do Geoparque, recebeu a visita dos avaliadores da Unesco, e a gente vem conseguindo, através desse espaço, reivindicar um lugar na identidade cultural do município – explica Cátia.

O documentário é composto de relatos de antigos sócios, fundadores e frequentadores do Clube. A presidente conta que, a partir desses registros, se contextualiza como era, nos anos 1970, a vida em sociedade, e diz que a produção é importante para registrar memórias e complementar a preservação da presença da África na identidade cultural do município. Ela também destaca a contribuição de José Vivian, sócio-fundador do Harmonia e integrante da primeira diretoria da entidade.

– Ele nos trouxe informações muito valiosas em relação ao nome do clube, à forma como ele foi sendo pensando, às pessoas que idealizaram a sua fundação, suas motivações, a força. Então, o seu José Vivian é muito valioso e muito precioso para todos nós – afirma.

Sobre a importância do Clube Harmonia ao longo da História de Caçapava e nos dias atuais, Cátia Cilene diz que a entidade é um local que sempre acolheu a todos, negros e não negros.

– É um espaço que agrega a comunidade, e é muito importante não somente para a comunidade negra, mas para toda a sociedade. Ele conta a História de Caçapava. Preservar o Clube é preservar, também, a História do município. Quando falamos da identidade cultural de matriz africana, estamos falando da identidade cultural do município. Por isso, não somente o reconhecimento do Clube como patrimônio cultural da cidade é importante, mas também a criação de políticas para a manutenção do Harmonia, para a preservação do acervo e da edificação. O Clube materializa a História da cidade, e o projeto Harmonia: memórias cruzadas e histórias vividas fortaleceu a expansão de todo o trabalho que o Clube vem fazendo há mais de 50 anos – concluiu.

Conheça os temas abordados no livro Clube Recreativo Harmonia: um espaço de resistência no Rio Grande do Sul

“O negro no imaginário Sul Rio Grandense”, por Cátia Cilene Morais Dutra e Gilvan Odival Veiga Dockhorn

“Sociedade Recreativa Harmonia: organizando, sistematizando e preservando acervos antirracistas”, por Ariane de Sá de Andrade Cruz, Pamela Cristina de Oliveira Santana Pinto e Giane da Silva Vargas

“A implementação de um sistema de promoção da igualdade racial em Caçapava do Sul: a articulação entre teoria e prática”, por Zeni Xavier Siqueira dos Santos e Vinicius Nahan dos Santos

“Oxum e a centralidade do Clube Recreativo Harmonia: na construção de uma educação étnico-racial em Caçapava do Sul”, por Deise Lisiane Soares Luiz

Livro Harmonia
Crédito: Divulgação

“Diferente, único e com as características inerentes de um povo: uma análise sobre o Clube Harmonia”, por André Ramir da Silva

“Geoparque Caçapava Unesco: tecendo saberes da negritude”, por Cátia Cilene Morais Dutra

“Espaços negros que ressignificam e constituem histórias de resistência”, por Isadora Bispo e Gilvan Odival Veiga Dockhorn

“Patrimônio e negritude: era uma vez um sopapo…”, por Cátia Cilene Morais Dutra e Francisco Acidemar Nunes

“Clube Harmonia na Mídia e Quando a juventude abraça a ancestralidade”, por Arianne Teixeira Lima de Paula