“Havia um tipo de competição entre os ‘italianos’ do Rincão de Lourdes e aqueles lá de Santa Bárbara, no tempo em que Caçapava era um município com grande população rural de origem itálica”
No domingo, 07 de dezembro de 2025, aconteceu a sempre anual festa na Colônia de Santa Bárbara. Por força do calendário, normalmente, é um dos dias mais quentes do ano, mas também porque a capela foi construída bem no terreno plano, no costado do arroio, pelos antigos moradores daquelas terras ricamente habitadas, lá pelo início do século passado.
Havia um tipo de competição entre os “italianos” do Rincão de Lourdes e aqueles lá de Santa Bárbara, no tempo em que Caçapava era um município com grande população rural de origem itálica. As carroças puxadas por cavalos e bois transportavam as famílias de “gringos” de chapéu de palha de trigo para beber seus vinhos e dançar com muita alegria nas duas colônias.
Depois, com a necessidade de alimentar muitas bocas e o crescimento dos empregos urbanos, aliados ao consumismo e à procura por mais conforto para as pessoas, a população veio se mudando pra cidade. Nunca esquecendo as dificuldades dos pequenos produtores para se manterem na atividade, com a pequena valorização da produção primária e a supervalorização de tudo o que é industrializado.
O dia consagrado às celebrações dedicadas à Santa é 04 de dezembro em muitas paróquias e cidades pelo vasto território nacional. Ela é a advogada dos arquitetos, dos pedreiros, dos prisioneiros e dos bombeiros. Atribuem a ela, também, a proteção contra raios, trovões, tempestades e mortes repentinas, o que dá essa entidade a condição de muito poderosa.
Por lá, já é rotina a falta de mais um pouco de sombra, o churrasco de primeira, o encontro festivos das famílias afins e o bailinho das quatro da tarde. No domingo, também observei alguns fatos particulares com respeito ao uso de chapéus: o vereador Thiago Freitas, que não tem origem italiana, apareceu com um baita chapéu de palha das antigas, na busca de se inserir no contexto; o gringo Quico Dalmazo, que é italiano da gema, pelo sotaque da fala e o próprio sobrenome, andava com um chapeuzinho de feltro preto, do tipo de pagodeiro paulista; um cidadão que não identifiquei participou da missa de chapéu marrom, meio desabado, cravado na cabeça, nem se importando com tal blasfêmia aos pés da santa; e alguns políticos arroz de festa, com mandato, eternamente em campanha na tentativa de manter o voto cativo para as próximas eleições, passaram por lá como se um relâmpago fossem.
Acredito, na minha maneira já idosa de entender as coisas, que estas festas de capela que acontecem no nosso interior ainda são folclóricas, alegres, construtivas e muito importantes para manter os esgarçados laços familiares que a nossa sociedade modernosa e individualista cada vez desconstrói um pouco mais, e abrandar alguns corações com a religiosidade dos católicos.
Para quem conheceu a Colônia de Santa Bárbara quando guri, que frequentou os bailes do Erasmo Peixoto, assistiu carreira na Cancha do Picó – no Rincão de Lourdes – e jogou bola em torneio de futebol de campo, ao lado da capela, voltar por lá sempre é nostálgico e retrospectivo. Tomara que nunca se terminem…