A fúria das águas

Casas, móveis, utensílios, produções, a soma de seus esforços de muitos anos de trabalho, veio tudo abaixo. Mas, como disseram vários desabrigados, vão-se os bens materiais, mas a vida continua. Com fé e esperança para recomeçar

“Rios caudalosos e cascatas deslumbrantes”, da canção “Marcha para Oeste” – que cantávamos no coro de Diná Néri –, agora transbordaram furiosamente neste ciclone que nos atormenta.

Mortes e desaparecimentos de moradores dos vales do Sinos, Taquari, Jacuí e de outros importantes rios gaúchos não cessam de acontecer, fazendo milhares de desabrigados lamentarem suas perdas. Casas, móveis, utensílios, produções, a soma de seus esforços de muitos anos de trabalho, veio tudo abaixo. Mas, como disseram vários desabrigados, vão-se os bens materiais, mas a vida continua. Com fé e esperança para recomeçar.

Os governos estadual e federal não demoraram a vir em seu socorro. Verbas, provisões de água potável, alimentos e agasalhos, bem como lonas são providenciados com urgência. Os desabrigados socorridos em abrigos ou em casas de parentes são milhares. E o socorro aos moradores ilhados, por balsas e helicópteros, tem sido acionado de imediato. Mas nada devolve a vida de tantos mortos que deixaram uma lacuna impossível de preencher em suas famílias.

O que fazer, e como prevenir-nos de catástrofes como essa? Nos países de Primeiro Mundo, os institutos de meteorologia têm técnicas e aparelhos para prever esses fenômenos. E aqui entre nós, os governos se sucedem sem planos plurianuais, e as medidas de proteção promovidas em um mandato não são continuadas pelos seguintes.

Falhas na promoção do meio ambiente, em planos e execuções interrompidas, verbas perdidas por descaso ou corrupção, maus investimentos roubando o foco das atenções à preservação da natureza para outros setores imerecidos, quanta coisa errada ou inacabada resultando nestas catástrofes.

A nós, cidadãos comuns, o que cabe fazer? A começar pelo lixo à frente de nossas casas, que sejam bem embalados e não caiam nos bueiros, que entopem e fazem as chuvas invadirem ruas, calçadas e até moradias.

Não tendo rios muito próximos e estando assentados sobre rocha, essas enchentes não nos atingem, mas todos sofremos com a dor dos flagelados, pois somos todos irmãos, e o seu sofrimento é profundamente compartilhado por todos nós.

Que S. Pedro, Padroeiro do Rio Grande, se compadeça de nós e dos vizinhos catarinenses e paranaenses. E a Primavera chegue com um novo renascer.