A importância dos rodeios

Acredito que os rodeios que já se espalharam pelo Sul do Brasil vieram para ficar e se incrementarão com o passar do tempo, até que alguém sabido interponha o argumento de que os animais ali envolvidos estão sendo maltratados

Li no Correio do Povo: ”Um estudo realizado pela Feevale apontou que, em 2023, os rodeios gaúchos movimentaram mais de R$ 2 bilhões no Rio Grande do Sul, sendo R$ 980 milhões somente em inscrições para as provas campeiras”. Fiquei sabendo também que já ocorrem mais de 3 mil festas desse tipo a cada ano, dando uma média de mais de 60 a cada final de semana.

O movimento já é bem significativo desde que esse tipo de evento passou a integrar cultura, turismo, tradição e economia: há investimentos para o aluguel do gado, para o trato dos cavalos, para transporte dos animais, aquisição de indumentárias (botas, bombachas, camisas, chapéus, cinturões, lenços, etc), rações e premiações.

Uma pessoa minha parente me contou que um genro seu gosta muito e sempre está participando dos rodeios na região. Comentei que este é um esporte de “rico”, ao que ela me contestou que ele não gastava nada, já que possuía quem lhe transportasse os cavalos, no caminhão de um seu familiar quase de graça. Me parei de pensador, cá com meus botões de casas gastas: como assim? E a boia pra os bichos e pra os que acampam, e a cerveja pra espantar o calor e animar a festa, e a inscrição e tudo o mais que já falei acima? Esta reportagem do Correio serve muito bem, cai como uma luva, para trazer luz e esmiuçar o assunto.

Na verdade, fazem quase duas décadas que venho acompanhando essa lida de perto, assistindo, conversando e analisando este fenômeno e conclui que os rodeios campeiros dos moldes atuais são muito mais um esporte rural do que um ato tradicionalista como promovem os CTGs e Piquetes. Os laços já não são os mesmos, as regras são muitas e o gado nem corre mais de tão costeado que anda, troteia louco pra cumprir seu curto trajeto e descansar na mangueira.

Acredito que os rodeios que já se espalharam pelo Sul do Brasil vieram para ficar e se incrementarão com o passar do tempo, até que alguém sabido interponha o argumento de que os animais ali envolvidos estão sendo maltratados.