Ela andava meio escondida, pouco se ouvia falar nela, mas de repente, passou a ser a grande vedete nos meios de comunicação. Todos se acham no direito de dar o seu pitaco. Alguns bem intencionados fazem comentários pertinentes; outros escorregam pelas beiradas com opiniões totalmente sem base nenhuma, procurando achar culpados. Mas é assim mesmo, inflação alta assusta a todos e é um fato desagradável, pois acaba mexendo na vida de todo mundo. O Brasil vive um momento difícil no que se refere à inflação. Os últimos dados demonstram que ela está beirando dois dígitos. No que se refere ao índice oficial, o IPCA, o dado de setembro deve sair somente perto do dia 10 de outubro. É bom lembrar que este índice pesquisa o consumo de famílias com a renda entre um e 40 salários mínimos. Para analisar a repercussão da inflação na população de baixa renda, seria melhor usar o INPC, que pesquisa o consumo da população que ganha entre um e cinco salários mínimos. Deve ser salientado que, neste índice, o peso de alimentos é maior. Segundo pesquisa do Boletim Focus que interroga mais de 100 economistas do mercado financeiro, a projeção é de que o IPCA feche o ano em torno de 8,45%. Na semana passada, este índice estava em 8,35%. Um mês atrás, o número era de 7,27%. Inflação com viés de alta.

 

Causas da inflação

É bom que se diga que a inflação está contaminada principalmente pelos aumentos dos combustíveis, que acompanham o preço internacional do petróleo, atingindo a todos os consumidores. A crise energética, a maior desde 1991, atinge também a todos, com aumentos na conta de luz, o que repercute em todos os produtos e setores. Os efeitos climáticos, também foram sentidos e diminuíram a oferta de produtos alimentícios. Contribui também, a diminuição na oferta de produtos manufaturados, devido à falta de semicondutores e insumos para a indústria. Empresas paralisam a produção por este motivo, e isso diminui a oferta e aumenta o preço. Com o dólar desvalorizado, os importados ficam mais caros também, influindo nos preços. É bom que seja dito que a inflação elevada é um problema mundial que está afetando todas as economias, que com a pandemia, desestruturou a produção e a logística dos mercados. Outra causa da elevação da inflação é o aumento do consumo. Com a volta do emprego, cresceu a renda que veio ativar o consumo. A pressão do consumo proporciona aumento de preço.

 

Como acalmar a velha senhora?

Começando pelo petróleo, que está praticamente nas mãos de poucos produtores, fica difícil uma solução. Quando o consumo cai, eles diminuem a produção, fazendo com que o preço se mantenha. Reduzir o preço do petróleo? É difícil, pois poucos regulam a oferta e, assim, o preço fica onde eles querem. A Petrobras pode fazer alguma coisa? Muito pouco, pois do preço final, ela é responsável apenas por 33% do que é pago na bomba, sendo que o resto são impostos e lucro dos revendedores. Lembrem que, em governos passados, houve intervenção no preço, evitando altas, mas depois veio a conta. O que pode ser feito é realizar a correção nos preços de maneira mais espaçada, permitindo um melhor planejamento nos gastos. A alta no preço da energia elétrica acontece devido à crise hídrica. Com falta de água, as hidroelétricas produzem menos, e aí a solução é optar pela energia das termoelétricas, que consomem combustíveis fósseis de custos mais elevados. Em relação ao combate à crise hídrica, quem pode realmente fazer alguma coisa é o São Pedro, enviando mais chuvas, mas as perspectivas são pessimistas. La Niña está aí, e os seus efeitos serão sentidos nos próximos meses, e até março, ameaçando as novas safras. Mexer na cotação do dólar é obra do Banco Central (BC), com alta nos juros, e isso já vêm sendo feito. Só que a dose tem que ser muito precisa, senão, pode matar o paciente. Deve ser dito que a alta do dólar é um fenômeno mundial e vem atingindo a todas as economias. Por aqui, cada aumento nos juros compromete o crescimento, portanto, é necessária muita habilidade do BC neste sentido. Combater a inflação é extremamente difícil. Quem sabe com uma boa mágica!

 

Perspectivas

Rezar para que chova bastante, para que o preço internacional do petróleo fique mais baixo e esperar que o problema da falta de insumos e componentes seja resolvido no curto prazo. Ainda é torcer para que as pressões no dólar sejam menores e as cotações fiquem mais favoráveis. As projeções indicam que, em 2022, a inflação deve fechar em 4,12%. É bom torcer!

 

Pense

Sempre fica o perfume nas mãos de quem oferece flores.