A vida de uma estrela de cinema, sem censuras

As únicas exigências são que reproduza fielmente os eventos narrados e que lance o livro apenas após a morte de Evelyn. Todos os lucros, estimados em milhões e milhões de dólares, ficarão para a repórter. Mas por que beneficiar assim uma completa desconhecida?

Evelyn Hugo é uma atriz de muito sucesso, que teve seus trabalhos de maior destaque na década de 1960. Mas não são apenas os filmes os responsáveis por sua fama. Ela também é uma figura bastante polêmica, afinal, não é qualquer pessoa que se casa sete vezes, dentre outros escândalos (lembre-se, 1960!).

Essa é a protagonista de Os sete maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid. Ao longo do romance, será contada a história completa dessa personagem, sem censuras e narrada pela própria Evelyn, numa entrevista para Monique Grant, uma repórter iniciante – mas com muito potencial – da revista Vivant.

Entretanto, o que leva a revista a enviar uma novata para entrevistar uma das atrizes mais importantes do país? Simples: uma exigência da própria atriz. Porém, Evelyn não quer dar nenhuma entrevista para a Vivant, mas para Monique, para que ela publique um livro, sua biografia autorizada. As únicas exigências são que reproduza fielmente os eventos narrados e que lance o livro apenas após a morte da atriz. Todos os lucros, estimados em milhões e milhões de dólares, ficarão para a repórter. Mas por que beneficiar assim uma completa desconhecida? Isso tem a ver com um segredo que Evelyn carrega há décadas e, agora, irá revelar.

Os sete maridos de Evelyn Hugo tem duas narradoras, Evelyn, que contará sua vida, desde a adolescência ao lado de um pai abusivo até o fim da carreira, mostrando que nem tudo são flores por trás do glamour; e Monique, que relata como conheceu a atriz e recebeu a proposta, além de alguns detalhes de sua vida pessoal. Elas irão se encontrar por duas semanas para o trabalho, e esse tempo será o capítulo final para uma e o recomeço para outra.

O formato de entrevista em que a obra é construída me lembra muito o de Daisy Jones & The Six, também de Taylor Jenkins Reid, mas não me parece repetitivo, como se ela só soubesse fazer uma coisa. Os sete maridos de Evelyn Hugo tem algo só seu, uma particularidade que cativa o leitor. É daqueles livros que a gente se sente órfã quando acaba, pois rimos, choramos, nos revoltamos e nos emocionamos com Evelyn e Monique, e ficamos querendo mais.

Referência: REID, Taylor Jenkins. Os sete maridos de Evelyn Hugo. Tradução de Alexandre Boide. 1ed. São Paulo: Paralela, 2019. 360p.