Alta rotatividade de pessoas na propriedade rural é tema de debate

Última edição do Prosa de Pecuária em 2023 abordou o cenário atual e os desafios, as causas e os impactos da rotatividade, além de apontar soluções

Prosa de Pecuária - Crédito Divulgação
Crédito: Divulgação

Causas e consequências da rotatividade das pessoas em propriedades rurais foram destacadas durante a 31ª edição do Prosa de Pecuária, a última live mensal do Instituto Desenvolve Pecuária de 2023. As sócias-fundadoras da Agroteams Escola do Campo, Valentina Albornoz Pavão e Ana Luiza Schultz, falaram sobre “Como vencer a alta rotatividade e atrair bons colaboradores no campo”. O vice-presidente do Insituti, Paulo Costa Ebbesen, abriu o evento, que ocorreu ontem, dia 18, com transmissão do canal do Desenvolve Pecuária no YouTube.

Valentina iniciou sua fala colocando que a alta rotatividade de pessoas é um tema “dolorido” para os produtores rurais, pela dificuldade de trazer para o setor profissionais com perfil de crescimento. Ana Luiza, por sua vez, lembrou que, quando se fala de pessoas, há muita dinâmica.

– Nós trabalhamos com a natureza e com o ativo humano, e então como conseguimos nos posicionar e entender todo esse cenário e ter a consciência de que nem sempre temos todas as respostas, mas é fundamental ter boas perguntas – argumentou.

A palestra abordou o cenário atual e os desafios, as causas e os impactos da rotatividade, além de apontar soluções e atratividade. Iniciando pelos principais desafios enxergados pelos produtores rurais no mercado e que compõem um cenário difícil e, ao mesmo tempo, desafiador para o crescimento, Valentina citou o choque de gerações e o perfil das pessoas que estão trabalhando no agronegócio, tanto na sucessão familiar quanto na equipe.

– Precisamos entender o que é valor e o que é realmente atrativo para cada geração e como isso impacta no gestor – pontuou.

Entre os desafios, também foram citados a cultura do “sempre fiz assim”, manter a equipe motivada e comprometida, a distância entre o líder e todos os cargos existentes na propriedade, a escassez de talentos no mercado de trabalho para o setor, o nível cultural e de escolaridade desafiadores e os modelos de negócios diferentes.

Na parte da rotatividade, Valentina explicou que se trata do percentual de substituições de antigos funcionários por novos, em um determinado período.

– A rotatividade, porém, mede principalmente a capacidade da empresa em reter os colaboradores e em ser atrativa para eles – colocou.

De acordo com ela, é preciso entender se a rotatividade é voluntária ou involuntária, pois este é um dado muito importante para saber o que está acontecendo dentro do negócio. Para a especialista, dentre as principais causas da rotatividade de pessoas estão as deficiências na gestão, a baixa remuneração, a baixa motivação profissional, a liderança ruim e a ausência de plano de carreira.

– Os impactos da alta rotatividade se refletem na queda de produtividade, despesas com demissões e admissões, além da queima da reputação da empresa e ou do líder – esclareceu, salientando que não existem apenas aspectos ruins, mas a rotatividade pode ajudar na melhoria dos processos e na renovação da equipe.

Valentina trouxe percentuais sobre as áreas de insatisfação que aumentam a rotatividade dentro das empresas, sendo 66% ligadas ao engajamento e à cultura ou bem-estar e equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e 20% na busca de melhores remunerações e benefícios.

Já Ana Luiza falou sobre o trabalho desenvolvido pela Agroteams, afirmando que a principal ferramenta é a comunicação.

– Entendemos que a rotatividade vem, cada vez mais, batendo os limites, e não só em questão de números, mas de frustrações de produtores rurais do universo gerencial, assim como também uma grande inquietude do mundo operacional. Conhecemos a empresa pelos olhos das pessoas que fazem parte dela. Não é preciso desacelerar o olhar técnico, mas é necessário colocar um gás muito forte em conhecer pessoas – observou.

Conforme a especialista, foi realizada uma pesquisa com mais de 60 produtores das regiões da Campanha e da Fronteira Oeste do Estado, com um olhar mais voltado para a pecuária, e todos disseram entender a importância de se qualificar como gestor.

– Perguntados, porém, sobre a frequência em que as equipes são treinadas, em torno de 45% responderam que isto nunca foi feito – disse, enfatizando a necessidade de entender as causas e as consequências deste comportamento.

Outro dado colocado por ela, foi sobre os cenários atuais. O tempo médio de trabalho nas empresas fica em 2,1 anos, e a rotatividade/ano em 37%.

Finalizando sua palestra, Ana Luiza destacou que a rotatividade é um radar importante no trabalho realizado pela Agroteams.

– Nós temos uma grande preocupação de quem está entrando nas equipes e de quem está saindo e como. A rotatividade parte da atratividade, da forma como é feita a seleção, da conexão com os valores das pessoas e como a empresa cria esta atratividade com o dever de casa bem feito. Mas, principalmente, a forma como ela passa a mensagem, o encantamento durante o processo – concluiu.

Valentina, na sua fala final, apresentou soluções para reduzir a rotatividade. Entre elas estão entender os desafios atuais da empresa, a clareza no papel do líder, a aproximação do líder com a equipe, a atualização e a adaptabilidade constante e a remuneração adequada e competitiva.

A 31ª edição do Prosa de Pecuária pode ser assistida em https://bit.ly/3Tv31L0.

Texto: Rejane Costa/AgroEffective – adaptado