Acredito que muitas pessoas acompanhem com curiosidade e medo, ao longo desse mais de ano que o corona nos assola, as alterações ocorridas na coluna do obituário das redes sociais. Muitos familiares que nem podem velar seus entes queridos como gostariam e conforme mereciam, de acordo com as normas da tradição católica, acabam publicando a sua dor para cumprir ou se desculpar pela pouca atenção aos que se foram, dando satisfação a parentes e amigos da triste ocorrência.

Foi através dessas redes que fiquei sabendo do falecimento (por corona ou não) de três pessoas importantes na história de nosso município. Falo do Roberto Antônio Machado, o nosso querido ex-prefeito Robertinho, o folclórico Pedro Sertanejo e o Sr. Epitácio Correa, lá do Durasnal.

Robertinho não teve as homenagens póstumas que merecia por parte dos seus munícipes, aos quais dedicou grande parte da sua vida no mister de bem servir. A humildade com que viveu e a simplicidade da sua personalidade não justificam a pouca atenção que lhe foi dedicada por parte do Pode Público da sua terra natal, por ocasião da sua partida. Não podemos esquecer que o Robertinho foi injustiçado e desrespeitado na sua cidadania quando foi preso igual um criminoso e metido na cadeia tal qual fosse um bandido perigoso. Quem é que garante que essa humilhação não tenha contribuído para a decadência do seu estado de saúde? Foi abandonado pelos antigos correligionários. Não pode ser esquecido por ter sido bom exemplo de político e chefe de família exemplar. Robertinho foi um homem do bem.

O meu amigo Pedro Sertanejo foi um daqueles homens desbravadores e autênticos no porte e no agir. Bodegueiro no fim da existência, tive a riqueza de conviver com ele e até de assisti-lo, na condição de chefe do Poder Executivo, quando sua saúde fraquejou. Participei de uma janta (vaca atolada) na sua residência para celebrar sua recuperação cardiovascular. Merece deixar seu nome gravado na história de Caçapava pela figura pública que representou.

Seu Epitácio, foi peão e capataz de estância, guasqueiro e grande apreciador das coisas de valor das nossas tradições de raiz gaúcha. Sempre foi reconhecido e valorizado como um homem campeiro, grande contador de causos, profissão que está desvalorizando pela modernidade da campanha. Seu laço de couro cru cerrou nas aspas de muito ventena desse nosso mundão da Estância de São Pedro.

Com a chegada das vacinas, não podemos apagar da memória a dor e a falta de muitos que nos são ou foram caros. Tomara estejam bem, agora que suas vidas viraram bom exemplo aos que precisam prosseguir.

Depois desta croniqueta pronta, viajou o querido Pastor Izar, Presidente da Igreja Assembleia de Deus. Que coisa terrível essas desgraças que não terminam e nos deixam entristecidos, restando apenas homenagear aos que se foram.