Parece um disparate, mas não é. Aposentados também precisam de férias. Sair da zona de conforto, focar em novos assuntos, encontrar outras pessoas que não fazem parte de seu dia a dia são necessidades que precisam ser atendidas para que a vida não perca os seus encantos.

Pois engajei-me numa turma de turistas – sob o comando experiente da Josie – e enfrentei uma longa estrada até um balneário uruguaio que tem atraído caravanas de brasileiros. A não ser minha mana Regina e suas filhas, eu não sabia quem ia encontrar no grupo, que foi uma agradável surpresa. Pois dele faziam parte pessoas que conheci – e algumas com quem convivi – em diferentes fases de minha vida. Todas muito amáveis e que me trouxeram de volta boas lembranças do passado.

O hotel – um resort – apresentou todas as comodidades já anunciadas, o atendimento foi perfeito, e o ambiente muito bonito e agradável. O ponto alto do dia era a piscina térmica, onde ficávamos quase toda a tarde. Dali, partíamos para o bar, que oferecia bebidas quentes, chope ou refri, bem como apetitosos petiscos e música ambiente.

O espaço do hotel se estendia à frente e aos fundos, com vastas áreas de campos e trilhas, por onde podíamos fazer nossas caminhadas diárias. Fazia tempo que eu não caminhava tanto, e até me admirei da minha resistência. Acontece, porém, que eu sempre contava com um braço amigo para apoiar-me, sobrinhas, mana e muitas companheiras solidárias.

Num desses passeios, encontramos cabanas de outros hotéis, piscinas públicas e, para nossa alegria, umas lojinhas com preços bem acessíveis. Era só o que estava faltando, turista sem compras não fica realizada.

No café da manha, no almoço e no jantar, era preciso localizar os diversos setores, como frutas, leite, pães de todos os tipos, produtos lácteos, frios e outras variedades para o café da manhã; arroz e feijão não apareciam, mas uma infinidade de outros pratos que os substituíam. O setor das massas era o mais procurado. A gente escolhia a massa, o atendente a colocava num escorredor e mergulhava num panela de água quente. Em minutos estava pronto, e era só escolher o molho. Uma gostosura!

As crianças serviam-se dos sorvetes, ficando na ponta dos pés para abrir as torneiras da máquina. E depois escolhiam as coberturas, sem o auxílio de seus pais. Não ouvi nenhum chorinho delas. Havia bicicletas à sua disposição, bem como pracinha de esporte.

Mas, como tudo na vida, as férias chegaram ao fim. A volta foi mais tranquila, não houve a má vontade da funcionária da Aduana que tivera uma péssima noite – rompera com o amado – e nos fez aguardar mais de uma hora para atender-nos. Ali começaram nossas caminhadas, de um prédio a outro, atravessando avenidas, rodeando praças… Deu para batermos fotos das placas indicando a fronteira.

Voltando aos pagos, de Quaraí em diante, fomos admirando nossos campos e coxilhas, o gado bovino bem gordo, as ovelhas lanudas, uma imagem de pujança. Ainda temos muito a oferecer, havendo distribuição equitativa de rendas, ninguém precisa passar fome. O almoço em S. Gabriel era atendido por garçons e garçonetes pilchados, pois festejava-se o Dia do Gaúcho, 20 de setembro.

Nossas casas nos receberam de braços abertos, tudo nos seus lugares, e a rotina pareceu-nos leve e agradável. É bom sair, melhor voltar.

Estou sentindo falta dos companheiros da viagem. Mas, ao dobrar uma esquina, provavelmente encontraremos um e outro.