Sempre gostei de ler no ônibus. É uma forma de ocupar com algo útil aquelas horas em que ficamos olhando para o nada, esperando chegar ao nosso destino. Para esse fim, sempre reservei livros pequenos, pois são mais fáceis de levar na mochila e de manusear. Além disso, dependendo do tamanho e do tempo de viagem, dá pra ler todo.

Um desses livros que li no ônibus foi O carteiro e o poeta, de Antonio Skármeta. Voltei a lê-lo num domingo à tarde. Após terminar A cantiga dos pássaros e das serpentes, precisava de algo mais leve. Olhando as prateleiras da estante, vi ele ali, meio espremido entre dois livros grandões, e lembrei como a história era, em sua maior parte, leve e divertida. Era isso mesmo que eu precisava! Cinco horas depois, as 174 páginas lidas, me sentia nova em folha pra encarar a segunda-feira.

No prólogo, é dado o contexto da obra: um jornalista e escritor é enviado pelo diretor do jornal para o qual trabalha – uma pessoa de gosto, no mínimo, duvidoso – para entrevistar o poeta Pablo Neruda sobre seus amores do passado. Por essa época, esse jornalista estava passando por dificuldades para avançar nas tramas de seus livros e, convencido pelo diretor, decidiu viajar para encontrar Neruda e aproveitar a oportunidade para pedir que o poeta escrevesse o prefácio do seu livro. Neruda não aceitou dar a entrevista com o tema proposto, mas se dispôs a escrever o prefácio, de modo que o jornalista ficou em llha Negra para terminar o livro, que ele diz não ser esse que temos em mãos. Esse, segundo o jornalista, relata o que aconteceu no período em que permaneceu por lá.

Na trama, o protagonista é Mario Jiménez. Ele trabalha ajudando seu pai, o pescador José, mas não gosta desta função. Mario vive resfriado (ou fingindo estar), e seu pai o aconselha a procurar um emprego. Um dia, ele está no porto de San Antonio e vê um cartaz na agência do correio informando que precisam de um carteiro. A vaga era para Ilha Negra, onde só havia um cliente: Pablo Neruda.

Quando chega uma carta da Suécia para o poeta, ele a abre na frente de Mario – agora carteiro –, algo nunca acontecido antes e que serve de motivo para que eles conversem pela primeira vez, abrindo caminho para que fiquem amigos. Tão amigos que Mario pede que Pablo Neruda o ajude a conquistar sua amada Beatriz González e a convencer a mãe da moça a aceitá-lo. Será que o poeta aceitará essa importantíssima missão?

 

Referência: SKÁRMETA, Antonio. O carteiro e o poeta. Tradução de Beatriz Sidou. 27ed. Rio de Janeiro: Record, 2017. 174p.

 

P.S.: Mario diz, com outras palavras, que uma carta de verdade deve ter um P.S. Isso não é uma carta, mas as circunstâncias fizeram necessário esse P.S. para falar sobre o título da coluna. O título original em espanhol de O carteiro e o poeta é Ardiente paciencia. Em uma tradução literal ao português, Ardente paciência, título sob o qual as primeiras edições foram publicadas no Brasil.