Arrecadação do mês de setembro registra pequena alta, apontando para estabilização

“Esses resultados, embora possam refletir as flutuações da economia do país, foram também influenciados por fatores não recorrentes, por mudanças na legislação e por aprimoramentos do sistema tributário”

A arrecadação total de receitas federais no mês de setembro atingiu o valor de R$ 216 bilhões, o que representa um crescimento real de 1,43% em relação ao mesmo período do ano passado.

Só para lembrar: quando se fala em “acréscimo real”, está-se falando do crescimento nominal (do valor em reais), MENOS a inflação media pelo IPCA no período. Ou seja, é crescimento em poder real de compra, já levando em conta a correção do valor efetivo do dinheiro.

Acumulado do ano

No somatório do período de janeiro a setembro, a arrecadação de receitas federais já passou dos R$ 2,1 trilhões. Esse valor representa um crescimento real de 4% na comparação com os mesmos meses, em 2024.

Os desempenhos, tanto de setembro como o parcial do ano, são os melhores desde o ano 2000.

Cabe esclarecer…

Que esses resultados, embora possam refletir as flutuações da economia do país, foram também influenciados por fatores não recorrentes (ações de conformidade, etc.), por mudanças na legislação e por aprimoramentos do sistema tributário. Um dos eventos atípicos, e que puxou um pouco os valores do ano passado para baixo, foram as enchentes aqui no nosso Rio Grande do Sul.

Fatores principais

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) chegou a um total de R$ 8 bilhões nesse setembro, registrando crescimento real de 33,4% em relação a setembro de 2024. Isso por conta principalmente das operações relativas à saída de moeda estrangeira e pelas operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas – tudo decorrente de alterações recentes na legislação.

O IRRF-Capital, que respondeu por R$ 10 bilhões, teve crescimento real de 10%, impulsionado pelos aumentos em somatórios de IRRF sobre aplicação em renda fixa (15,4% nominais), Fundos de Renda Fixa (12,5%), e incríveis 154% sobre Juros sobre Capital Próprio.

A Receita Previdenciária, que respondeu por uma polpuda fatia da arrecadação – R$ 58 bilhões –, teve acréscimo real discreto, de 1,5%, de setembro de 2024 para setembro de 2025. Vale, porém, citar esse resultado, porque ele veio impulsionado, dentre outros fatores, por um aumento de 6,66% da massa salarial (a soma de todos os salários pagos a trabalhadores em emprego formal no Brasil).