Desde sua fundação, em outubro de 2021, a CCJT já possuía um grande acervo de fotografias e de documentos históricos. Estes materiais foram prospectados pelo médico e pesquisador Juarez Teixeira durante a escrita de seus dois livros, Caçapava, um olhar sobre o século XX e Parando Rodeio nas Lembranças, obras fundamentais para a compreensão da História da nossa cidade e do cotidiano dos moradores da urbe e do campo.

Neste um ano de funcionamento, parcerias com a Câmara de Vereadores, com o Arquivo Histórico Municipal Nicolau Silveira Abrão (setor da Secretaria de Cultura e Turismo), com o Arquivo Público Municipal (setor da Secretaria de Administração), além de doações de acervos particulares, permitiram que milhares de páginas de documentos originais, inéditos e desconhecidos fossem emprestados ou cedidos à CCJT para transcrição e análise. Os documentos, fotografias e iconografias, quando chegam a Casa de Cultura, recebem o mesmo tratamento do acervo museal: são delicadamente higienizados, cuidadosamente digitalizados, lentamente transcritos e metodicamente analisados.

Esta parceria do público/privado e as doações de documentos e fotos por parte da comunidade trouxeram à tona uma História desconhecida de Caçapava, que conduz os pesquisadores a outros lugares, a outras explicações e a outros entendimentos da sociedade local de 1831 até o final do século XX.

O que se nota neste processo de pesquisa científica é o quanto a História “Oficial”(?) da cidade é mítica e imprecisa, beirando muitas vezes ao absurdo. São estes os principais motivos do desinteresse dos leigos pela História da 2ª Capital Farroupilha. E, assim, lentamente as informações vão se perdendo, se misturando na densa névoa da ignorância, que reflete no próprio cuidado do centro urbano. O desconhecimento da História é uma das bases da depredação de prédios e monumentos públicos. O resultado da amnésia do passado da cidade é o não entendimento da origem do próprio indivíduo.

É por este motivo que a cidade teve fundadores que não fundaram nada, túmulos inexplicáveis dos combatentes da Guerra do Paraguai (1864-1870) construídos em 1922 (52 anos depois do fim da Guerra) e batalhas discutíveis (que podem nem ter acontecido) e que ninguém sabe ao certo onde aconteceram. E são estes equívocos confortáveis que escondem os grandes temas históricos do município, como: quem eram os comerciantes de escravos de Caçapava? Como e onde acontecia a venda dos cativos no município? Onde ficavam os cemitérios da cidade? Como foi a Revolução Federalista em Caçapava e como se deu a divisão do espólio dos Maragatos depois da Pacificação em 1895? Quem eram os primeiros ocupantes da Clareira da Mata? De onde saíram as pedras do Forte D. Pedro II? Como aconteceu a brutal ocupação militar da cidade pelos rebeldes Farroupilhas? Por que a Câmara dos Vereadores tratava os Farroupilhas como transloucados?

Estes confortáveis equívocos, que se propagaram como uma brincadeira de telefone sem fio, são o motivo da criação da coluna “Caçapava 100 anos atrás”. As pesquisas e transcrições de documentos continuarão. A cada semana, os pesquisadores da CCJT descobrem novos dados em documentos seculares. E assim, lentamente, as brumas da História vão se dissipando. E isso é só o início do nosso longo e árduo trabalho na Casa de Cultura Juarez Teixeira: o de desvendar o passado da 2ª Capital Farroupilha.