O entendimento da História local é fundamental na formação do cidadão. Este sentimento de pertencer a uma comunidade está diretamente ligado à sensação de fazer parte de uma nação ou de uma sociedade. Assim, a História é uma ferramenta imprescindível na formação do munícipe e do cidadão. A partir dela, surgem sentimentos como o de pertencimento e o de preservação, base para as posturas positivas e éticas que determinarão o futuro das urbes. Estes sentimentos também são retropropagáveis, pois estimulam os jovens a ensinar as gerações futuras a preservar a Memória e a Cultura, e a cuidar do que é Público.

Esta macroconsciência tem reflexos na melhoria da qualidade de vida de todos, pois se materializa na limpeza, na conservação e na preservação do patrimônio arquitetônico, do mobiliário urbano e das vias públicas, diminuindo os gastos com a manutenção da cidade e, consequentemente, melhorando os espaços de convivência – como ruas, praças e parques – e reduzindo os impostos.

Por isso, nas séries iniciais do ensino básico, as crianças começam a aprender História no 2º ano, iniciando com a História do núcleo familiar; passando, no 3º ano, para a esfera do município; e finalmente, no 4º ano, a História do Rio Grande do Sul. E para a efetivação destas atividades, as Secretarias de Educação liberam verbas para a organização de cursos e de palestras, e para a compra de livros que abordem os assuntos propostos nos planos pedagógicos.

Contudo, existem problemas que dificultam a operacionalização tanto das atividades formativas dos professores, quanto das aulas a serem ministradas para o alunado, como a falta de docentes pesquisadores que estudem especificamente as questões locais e a inexistência de livros didáticos que tratem das Histórias dos municípios e do Estado do Rio Grande do Sul. Quando estes livros existem e estão disponíveis, ou são defasados; ou possuem linguagem inadequada, de extrema densidade acadêmica; ou, ainda, são um amontoado de fatos mitológicos escritos pelos memorialistas, que se autointitulam historiadores.

Por estes motivos, muitos têm ojeriza da História, achando que ela não passa de um amontoado de fatos sem sentido, como uma ópera bufa de quinta categoria. Isso explica porque muitas cidades têm monumentos depredados, prédios históricos abandonados, pichações lamentáveis, má conservação das vias e o descaso total com o patrimônio público.

O Patrimônio Histórico das cidades é as cicatrizes da trajetória da humanidade pelo Planeta, nossas memórias físicas e, por isso, deve ser preservado. Só se destrói o que não se dá valor.