Caçapava não se entrega

A viagem parecia não ter fim. E o cenário, bem como o clima, ia mudando. Solavancos pela estrada de terra, o ar rarefeito, janelas fechadas. Quem se atrevesse a abri-las recebia protestos pela poeira que entrava.

Um forasteiro, além disso, estrangeiro, resolveu visitar a namorada e, assim, conhecer sua cidade. Tomou o ônibus na Rodoviária de Porto Alegre e informou-se sobre como chegar ao destino. Surpreendeu-se com o nome Dom Pedrito, e não o de Caçapava na placa de identificação do veículo. Mas lhe garantiram que ele o levaria à cidade que desejava.

Conseguiu uma poltrona à janela e, curioso, foi apreciando a paisagem, ora de planícies cultivadas com cereais, ora grandes pastagens para o gado. Fazendas com suas casas grandes e outras ao redor com menos garbo.

A viagem parecia não ter fim. E o cenário, bem como o clima, ia mudando. Solavancos pela estrada de terra, o ar rarefeito, janelas fechadas. Quem se atrevesse a abri-las recebia protestos pela poeira que entrava.

Rios, pontes, lagoas, o cenário era bem variado. Acordado de um cochilo, o passageiro sentiu a diferença. Muitas curvas na estrada, e morros e colinas de lado a lado. Árvores nativas refrescando o ar. Outro clima!

“Estamos chegando”, disse o vizinho de banco. Mas onde está a cidade? Depois daquele cerro. Mas nenhum sinal, o ônibus subia serra acima, as curvas se sucediam, dava para sentir um cheiro de mato.

Até que enfim apareceram as torres de uma igreja. Nada mais. Mas, na curva seguinte, os sinais da entrada foram surgindo. A namorada lá estava a sua espera. E os corações dos dois vibraram no mesmo ritmo.

Desde então, para aquele forasteiro, Caçapava passou a ocupar um lugar privilegiado, bem no meio do mapa do Rio Grande do Sul e nas suas mais ternas lembranças.

Falar do que ele conheceu durante sua breve estada é descrever as características mais relevantes de nosso município. O calor das boas-vindas, a gentileza dos passantes, as paisagens dos arredores, o ar fresco e perfumado dos jardins, o odor adocicado dos pomares, e a Igreja majestosa – primeira visão de quem aqui chega – contando a História de nosso povo, suas lutas, vitórias e tristezas, mas sempre de cabeça erguida, pronta a defendê-la e honrá-la.

Salve, Caçapava, terra de gente honrada. Faz acontecer seu progresso e bem-estar no seu aniversário.