Agentes durante mutirão de limpeza no Cemitério das Catacumbas

 

Confirmação ocorreu há duas semanas. Outros cinco casos são investigados. Segundo a agente de combate às endemias, Patrícia Barreto Mendonça, o município já é considerado infestado pelo mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, há alguns anos

Quando todos pensavam que poderiam respirar aliviados com a diminuição do contágio pela Covid-19, outra doença passou a preocupar os gaúchos: a dengue. O painel de arboviroses da Secretaria Estadual da Saúde (SES) registrava, na tarde de segunda-feira, dia 23, 28.056 casos confirmados e 35 óbitos relacionados à doença no Estado neste ano. Também de acordo com o painel, durante todo o ano de 2021, o Rio Grande do Sul teve 10.166 casos confirmados e 11 óbitos. O painel de arboviroses da SES é atualizado diariamente, a partir das 16h, e pode ser acessado em https://bit.ly/3yMMBUc.

Segundo Patrícia Barreto Mendonça, agente de combate às endemias da Secretaria da Saúde de Caçapava, o município teve o primeiro caso de dengue confirmado há duas semanas.

– Trata-se de um caso importado, ou seja, a contaminação ocorreu em outra cidade e Estado, não havendo registro de contaminações locais ainda. Há outros três casos [números oficiais na data em que a entrevista foi concedida. Atualmente, segundo o painel da SES, são cinco] em investigação no município, aguardando confirmação de exame oficial realizado pelo Laboratório Central (Lacen) – informou.

Ainda conforme Patrícia, o combate à dengue em Caçapava cumpre as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) e do Programa Municipal de Combate e Prevenção à Dengue, Zika e Chikungunya. Atualmente, a fiscalização está a cargo de sete agentes de combate às endemias e dois agentes de saúde pública, cedidos pelo Ministério da Saúde.

– As ações consistem em visitas diárias a residências; controle de locais com maior incidência de focos de mosquito, como borracharias, lojas de materiais de construção e cemitérios a cada quinze dias; levantamento do Índice de Infestação municipal por Aedes aegypti [o mosquito transmissor da dengue] quatro vezes ao ano, para nortear nossas ações e identificar os pontos mais infestados; mutirões de limpeza em locais específicos que configurem risco de novos focos; vistoria em locais que foram alvo de denúncias por serem foco de mosquitos; e envio de notificação oficial via correio, estabelecendo prazo para limpeza e sanções cabíveis. Além disso, estamos realizando um ciclo de palestras e atividades em todas as escolas de ensino fundamental e médio para conscientizar crianças e adolescentes acerca da dengue e sobre como evitá-la – relatou.

Patrícia explicou também que Caçapava já é considerada infestada pelo Aedes aegypti há alguns anos e que, quando há casos suspeitos ou positivos em determinado local, os agentes realizam o chamado Bloqueio de Transmissão Viral, que consiste em visitas de orientação e prevenção nos imóveis ao redor da moradia do paciente em questão; coleta de amostras de larvas de mosquito, se encontradas, para envio ao Lacen; e identificação e pulverização com inseticida específico, visando eliminar a população de mosquitos adultos na região.

– O ano de 2022 é o de maior número de registros por infestação do vetor no Estado. Aqui na cidade, os locais com maior incidência de focos são o Centro e os bairros Floresta e Negrinho do Pastoreio. Mas há focos em diversos outros bairros – declarou.

Sobre a fase de visitação às residências, Patrícia disse que o processo de aceitação dos moradores é construído diariamente, havendo ainda muita relutância em aceitar o trabalho realizado devido à sua periodicidade, já que, por causa das várias ações realizadas paralelamente, a mesma casa pode ser visitada em um período curto de tempo.

– Há também certa falta de entendimento do que se trata. Os agentes não visam multar ou penalizar os moradores por quaisquer irregularidades, e sim orientá-los quanto aos procedimentos mais atualizados para a prevenção da dengue, atender a demandas locais e mapear localidades mais problemáticas ou mais sadias em termos de salubridade. Mas encontramos diversos moradores conscientes e responsáveis, como na Vila Progresso, em que alguns moradores organizaram o próprio mutirão de limpeza e entraram em contato conosco apenas para retirada dos materiais – colocou.

Patrícia salientou que os sintomas da dengue são bastante comuns: febre média à alta; dor de cabeça e atrás dos olhos; dores no corpo, articulações e abdômen; náuseas; vômito; e manchas vermelhas no corpo. No entanto, a população deve evitar a automedicação, pois medicamentos como o ácido acetilsalicílico (presente na aspirina e no AAS infantil, por exemplo), o ibuprofeno e o paracetamol podem desencadear um quadro hemorrágico e grave de dengue. É recomendado buscar auxílio médico ao aparecerem dois ou mais destes sintomas, sobretudo após retornar de alguma viagem.

– A prevenção de focos de mosquito em casa e nos locais de trabalho segue sendo o remédio mais eficaz para a segurança de todos, mas medidas como o uso de repelente no corpo e de inseticidas elétricos, bem como manter janelas e portas fechadas ao amanhecer e ao anoitecer ajudam bastante – finalizou.

Foto: Arquivo Vigilância Ambiental