Caçapava tem novos patrimônios imateriais

Projetos foram aprovados na sessão da Câmara de terça-feira. Estavam presentes o mestre do tambor de sopapo, Tio Cida; a presidenta do Clube Harmonia, Catia Cilene Morais Dutra; e a patroa do CTG Clareira da Mata, Maria Seluta Lopes Oliveira. Ao final, eles conversaram com a Gazeta sobre a conquista

Cátia Cilene, Tio Cida e Maria Seluta acompanharam a votação do projeto
Crédito: Luiz Felipe de Oliveira/Gazeta de Caçapava

A Câmara de Vereadores reconheceu, na sessão plenária de terça-feira, 31 de outubro, como Patrimônio Cultural Imaterial do Município o Tambor de Sopapo, o Clube Recreativo Harmonia e o CTG Clareira da Mata. As duas entidades de matriz africana e o instrumento musical representam a história e a cultura do povo negro que aqui se estabeleceu durante o período da escravidão. Além disso, tanto o Clube quanto o CTG buscam reconstituir e preservar o modo original de vivência dos ancestrais dessa população, promovendo eventos artísticos, literários, formativos e profissionalizantes. Com o reconhecimento da Câmara, o Município passa a ser um dos agentes de preservação desses bens.

Na sessão, estavam presentes o mestre do tambor de sopapo, Francisco Acidemar Nunes (Tio Cida); a presidenta do Clube Recreativo Harmonia, Catia Cilene Morais Dutra; e a Patroa do CTG Clareira da Mata, Maria Seluta Lopes Oliveira. Ao final, eles conversaram com a Gazeta sobre a conquista:

– Para mim, isso significa muita coisa. Estamos resgatando mais um exemplar dos nossos ancestrais. O Grande Tambor, como o Tambor de Sopapo é chamado, faz parte do negro do Brasil. Durante a escravidão, nós éramos impedidos de nos comunicar. E, em determinado momento, nossos ancestrais começaram a se comunicar através do som do Sopapo. Dedico essa conquista ao saudoso mestre Giba Giba, que foi quem resgatou essa história, e ao esforço da minha equipe, a Cátia, eu e os demais membros do Clube Harmonia – disse Tio Cida.

– Ter o Clube reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade representa o legado dos seus fundadores. Hoje, a referência, a homenagem, a celebração são para essas pessoas que se movimentaram, na década de ‘60 e, em 1971, conseguiram erguer um clube negro em uma cidade onde a segregação racial era evidente. Construir uma sociedade negra e desenvolver a cultura de matriz africana foi algo que iniciou com os fundadores do Clube. Eu me sinto uma representante, uma defensora, uma pessoa que luta pela continuidade desse legado. Essa conquista é de todas as pessoas que, de alguma forma, passaram por esse lugar de memória, que construíram sua trajetória ali dentro. É muito emocionante estar nesse lugar hoje, de quem conseguiu levar esse projeto adiante – comentou Catia Cilene.

– Para mim, como patroa do CTG, é uma vitória. É muito importante o reconhecimento da entidade, pelo seu tempo, pelo seu trabalho, pelos eventos que o CTG promove. Eu fico muito grata à Câmara de Vereadores, que votou a favor desse projeto, pelo incentivo cultural à entidade. Isso é muito bom para todos da comunidade – declarou Maria Seluta.

Patrimônio imaterial

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), são considerados patrimônios imateriais “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas (com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhe são associados) que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.