Por Isabela Oliveira

 Maria Luísa Messias Dias chegou ao clube em outubro e já conquistou seu primeiro título com o Tricolor: a Copa Duda de Futebol 7 Feminino. Na competição, ela também foi a goleira menos vazada

Em 2019, com o sucesso da Copa do Mundo de Futebol Feminino disputada na França, a modalidade ganhou mais visibilidade no cenário internacional. Aqui no Brasil, os clubes aumentaram os investimentos em seus departamentos de futebol feminino, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) equiparou os salários da Seleção Feminina ao da Masculina e passou a organizar não só o Brasileirão Feminino profissional, como também as competições de base.

Muito ainda precisa melhorar, mas o que já foi feito permitiu que mais meninas realizassem o sonho de se tornarem jogadoras. Esse é o caso da goleira caçapavana Maria Luísa Messias Dias, a Malu, de 13 anos, que entrou para a base do Grêmio em outubro, na categoria sub-14, após realizar uma semana de testes. A oportunidade foi viabilizada através da escolinha de futebol Pró-Soccer.

Malu foi selecionada para as categorias de base do Grêmio após um período de testes em outubro (crédito: Lúcia Mundstock)

Ela é filha de Darllene Messias e Matheus Dias, quem influenciou em sua escolha de se tornar goleira – ele joga na mesma posição. Da mãe, recebe todo o apoio para seguir seu sonho, como fica claro nas redes sociais. Antes de chegar ao Grêmio, Malu atuava no Real Minas FC, aqui em Caçapava.

Pelo Tricolor, Malu já garantiu seu primeiro título, o da Copa Duda de Futebol 7 Feminino, conquistado de forma invicta em 11 de dezembro. Ela também foi a goleira menos vazada da competição, com apenas quatro gols sofridos. O nome do evento é uma homenagem à ex-jogadora da Seleção Brasileira e ex-coordenadora de Seleções Femininas da CBF, Duda Luizelli

Equipe do Grêmio que conquistou de forma invicta a Copa Duda de Futebol 7 Feminino no início de dezembro (crédito: Carolina Ferrari/Grêmio FBPA)

 

Confira a entrevista de Maria Luísa Messias Dias

Gazeta – Como começou a sua relação com o futebol?

Malu – Comecei a gostar por influência do meu pai.

Em que momento você chegou à conclusão de que queria ser jogadora?

Desde pequena, sonhava com isso, meu brinquedo favorito sempre foi a bola.

Como é a sua preparação para os jogos? Você tem algum ritual, mania ou superstição?

Eu geralmente peço a Deus para abençoar o time que estou jogando.

Você estuda? Como é conciliar as aulas com os treinamentos?

Sim, passei para o 9º ano. Por enquanto, está tranquilo e estou conseguindo bem, porque estudo de manhã e meus treinos são à tarde.

Como foi o período de testes no Grêmio? Que atividades foram realizadas?

Os testes foram de 24 a 28 de outubro. Nós tínhamos de estar bem cedo no CT [Centro de Treinamentos] para começar os treinos. Em questão de atividades, foram diversas. As que eu fazia eram focadas nos fundamentos que nós goleiras precisamos.

No momento, você está de férias? Quando recomeçam os treinamentos?

Sim, meus treinos começam em janeiro, no dia 03.

Qual o seu principal objetivo na carreira, aquele que, quando você alcançar, poderá dizer que está realizada?

No momento, é me tornar profissional, daqui alguns anos.

Tem algum(a) jogador(a) que te inspira? Qual? Por quê?

Do futebol masculino, o que me inspira é o Cristiano Ronaldo, pela sua determinação e foco. No futebol feminino, são a Marta e a Lorena, goleira do Grêmio e da Seleção Brasileira. A Marta, por tudo que já fez para dar visibilidade ao futebol feminino e pela sua força. A Lorena, por ser uma das melhores goleiras do futebol feminino, na minha opinião.

Na sexta-feira (16 de dezembro), a FIFA anunciou a criação do Mundial de Clubes Feminino. O que você achou da novidade?

Fiquei muito feliz quando vi, porque o futebol feminino, aos poucos, vem ganhando mais visibilidade, e isso é muito importante para nós.

Você costuma assistir aos jogos dos campeonatos de futebol feminino que ocorrem no Brasil e em outros países?

Sempre que passa algum jogo na TV, procuro assistir. A Copa América Feminina de 2022 foi o primeiro campeonato feminino que assisti todo.

Em 2023, teremos mais uma edição da Copa do Mundo Feminina. Se você fosse a técnica da Seleção Brasileira, Pia Sundhage, qual seria seu time titular na Copa?

Goleira, Lorena; zagueiras, Tainara e Rafaelle; laterais, Tamires e Fê Palermo; meias, Adriana, Kerolin, Angelina (se já estiver recuperada de lesão) e Ary Borges; e atacantes, Bia Zaneratto e Marta (se já estiver recuperada de lesão).

Foto principal: Carolina Ferrari/Grêmio FBPA