Caçapavano assume a vice-presidência do SENGE-RS

Até então, João Leal Vivian era diretor de Negociações Coletivas do Sindicato. Nesta entrevista, ele enumera os principais desafios a serem enfrentados na Gestão 2023-2026

João Leal Vivian_crédito Divulgação
Crédito: Divulgação/SENGE-RS

O engenheiro civil caçapavano João Leal Vivian se destaca como liderança profissional ao assumir a vice-presidência do Sindicato dos Engenheiros no Estado do RS (SENGE-RS) e diretorias de entidades nacionais.

Considerado referência no movimento sindical brasileiro, seja por sua solidez financeira e institucional, seja pelo posicionamento técnico isento de pressões ideológicas, o SENGE-RS tem 17 mil associados e mais de 15 mil vidas beneficiadas nos seus diversos planos de saúde aos sócios e suas famílias.

Até então diretor de Negociações Coletivas do Sindicato, Vivian assume a vice-presidência enumerando, nesta entrevista, os principais desafios a serem enfrentados na Gestão 2023-2026.

O mundo mudou muito nos últimos tempos. Qual a função de um sindicato atualmente?

Em linhas gerais, as transformações nas relações de trabalho, a flexibilização da CLT, a Reforma Trabalhista, entre outras iniciativas que visaram basicamente comprometer a viabilidade financeira da maioria dos sindicatos no Brasil, no caso do SENGE, vieram a favorecer nossa atuação e, consequentemente, as conquistas dos nossos representados. Em uma linguagem mais simples, digamos que precisamos, hoje, ter um sindicato 4.0, que atue em diversos eixos e não mais no sindicalismo tradicional. Vivemos uma nova era e precisamos entregar valor ao associado, em diversos eixos: ação sindical com as negociações coletivas, amplo portfólio de benefícios e serviços, apoio e qualificação profissional, e atuação institucional com o foco no interesse público, contribuindo em temas da Engenharia, debates e expertise técnica em favor da sociedade. Não podemos mais seguir a cartilha tradicional do sindicalismo frente a tantas transformações e às novas necessidades e demandas do mercado de trabalho.

O senhor poderia nos dar um exemplo?

A chamada prevalência do negociado sobre o legislado, introduzida pela Reforma Trabalhista, acrescentou maior sentido à necessidade das categorias convergirem ao seu sindicato. Assim, uma entidade estruturada, planejada, financeira e institucionalmente estável como o SENGE teve melhores condições de oferecer serviços, benefícios e ação sindical nas negociações com a iniciativa privada e o poder público. Hoje, contabilizamos 37 normas coletivas em vigência, o que não é pouco para uma categoria tão heterogênea. Em um momento hostil aos sindicatos, pós-reforma trabalhista, duplicamos o número de acordos e convenções coletivas do trabalho, no período que estivemos à frente da diretoria de negociações coletivas (2017 a 2023). Precisamos de um formato de sindicalismo adequado às transformações das relações de trabalho e com o foco de acolher e atender a toda a categoria, independente do formato da contratação. Esse é um dos nossos norteadores.

Quais seriam os desafios a serem enfrentados pela categoria com o apoio do SENGE?

Nos desafia sermos relevantes aos engenheiros, engenheiras e suas famílias, acrescentando à representatividade nas negociações, qualidade nos serviços e benefícios diferenciados. O tamanho do nosso quadro social atesta esta relevância. Como já disse, somos uma entidade que atende profissionais de todas as áreas da Engenharia, do setor público e da iniciativa privada, empreendedores, autônomos, estudantes, aposentados, colegas da Capital e de todas as regiões do Estado. Sermos percebidos por nossa diversidade e isenção em termos de política partidária amplia a confiança e a participação de um número crescente de pessoas. Nossa diversidade, ao contrário da maioria dos sindicatos, é nosso maior patrimônio.

E de que forma esta percepção se materializa?

Na defesa que assumimos da presença do Estado em setores estratégicos como saneamento, energia, assistência técnica e extensão rural pública, meio ambiente, inovação, ciência, tecnologia e no planejamento dos projetos socioeconômicos do desenvolvimento. Infelizmente, a realidade nos impõe sermos resistência ao sucateamento, aos desprestígios e à desvalorização das estruturas públicas e dos seus profissionais, muitas vezes com experiência e qualificação superiores à média do setor privado. É um desperdício deixarmos de converter esta expertise em favor da população, principalmente dos setores em vulnerabilidade. Também ao protagonizarmos o debate em torno de pautas de interesse público, em que destacamos o papel e a importância dos profissionais no equacionamento e nas soluções técnicas em benefício de todos. Para tanto, reunimos recursos, investimentos, tecnologia, equipe profissionalizada, política de comunicação e outras iniciativas que têm origem num rigoroso planejamento estratégico, no qual monitoramos mais de 50 indicadores de gestão. Frente às relações de trabalho em constante transformação, plataformas digitais e novas modalidades de trabalho, o grande desafio do sindicalismo é estar atento a essas demandas e oportunizar estruturas e ambientes de acolhimento e proteção para todos, independente da modalidade de trabalho e do modelo de contratação. Como exemplo, hoje, um engenheiro vinculado a uma empresa no Estado pode estar em teletrabalho, morando em outro Estado ou até em outro país, e precisamos estar atentos para que cláusulas tradicionais contidas em normas coletivas de trabalho não sejam inócuas a esses trabalhadores, como plano de saúde, seguros, vale-alimentação, entre outras. Precisamos estar atentos, também, às “modernizações do trabalho” e ao “falso empreendedorismo”. Para tanto, é preciso que esses engenheiros e engenheiras participem ativamente da nossa entidade, para estarmos a par destas demandas e alinharmos nossa ação sindical a este novo cenário.

O senhor vem se destacando e ocupando importantes espaços na representação de classe profissional, em âmbitos estadual e nacional. Pode nos falar um pouco dessa trajetória?

Iniciei como delegado sindical, na Fundação de Ciência e Tecnologia (CIENTEC), em 2014, e o reconhecimento do trabalho realizado e a liderança demonstrada junto à categoria foram fundamentais para as oportunidades começarem a surgir. Na sequência, aceitei dois desafios: ser conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RS), indicado pelo SENGE-RS (2014 a 2020), e ser conselheiro do Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndios do Estado do RS, indicado pela CIENTEC, pelo SENGE e, posteriormente, pelo CREA-RS (2014 a 2020). Em 2017, também vieram novos desafios, e coordenei o Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis, que ocorreu em Porto Alegre. Na mesma época, aceitei compor a diretoria do SENGE-RS, no qual estou assumindo agora a vice-presidência para mais uma gestão. Posso destacar, ainda, que hoje sou diretor-técnico da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC) em nível nacional, e presidente do Departamento do Rio Grande do Sul (ABENC-RS).

Quais os desafios para os próximos anos?

O principal desafio é conciliar a carreira profissional e a atuação em entidades de representação e defesa classista. A carreira profissional me trouxe até aqui e, portanto, é necessário buscar um equilíbrio, pois precisam andar juntas. Sou doutorando em Engenharia de Segurança aos Incêndios, para fortalecer e manter a chama acesa no eixo profissional. Apesar de estar imerso na representação da categoria, sempre entendi que é necessário não só levar à categoria a mensagem sindical, mas também agregar oportunidades de qualificação técnica por meio de palestras, congressos e eventos. Temos contribuído em diversas discussões técnicas no Estado e no Brasil. Isso é um pouco do sindicato 4.0, com uma diretoria repleta de doutores, mestres e especialistas, em sintonia com as novidades tecnológicas e as necessidades dos profissionais e do mercado de atuação da Engenharia. Em 2024, participarei das comissões organizadoras do 29º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis, do 2º Encontro Gaúcho de Engenheiros Civis, do 3º Encontro Riograndense de Engenharia de Segurança Contra Incêndios e do 2º Encontro Gaúcho de Jovens Engenheiros. O importante é estar ao lado dos engenheiros e engenheiras, oportunizando o debate qualificado, o crescimento profissional e a valorização desta categoria tão importante para o desenvolvimento e a inovação.

Texto: Ascom/SENGE-RS – adaptado