Em parceria com o Projeto Doble Chapa, a Casa de Cultura Juarez Teixeira (CCJT) cumpre, de hoje (23) a domingo (26), agenda pela Fronteira e pelos departamentos uruguaios de Cerro Largo e Treinta y Tres. Além de visitas a sítios históricos, serão realizados encontros de trabalho com pesquisadores e ativistas culturais para a construção de parcerias e projetos binacionais.

A agenda começa na faixa de fronteira, ainda em terras brasileiras, com visita ao Museu da Colônia Nova, no interior de Aceguá. O espaço guarda a memória da formação da colônia (1949) por 87 famílias de origem eslava e praticantes da fé cristã menonita. Já em terras uruguaias, será feita uma visita ao prédio histórico e ao acervo da Casa Pérez (1906 – 1986), maior e mais importante casa de comércio dos cerca de 1.050 quilômetros da fronteira Brasil-Uruguai. Um movimento binacional busca transformar o espaço em memorial e centro cultural.

Em Melo, capital do departamento de Cerro Largo, a agenda contempla visitas no centro histórico e, no final da tarde, reunião com pesquisadores e ativistas culturais. Deste encontro de trabalho, deve resultar uma lista inicial de possíveis parcerias na área cultural – em especial no campo das artes visuais e pesquisa histórica.

 

Cayetana e Bento Gonçalves – A reunião ocorre num dos prédios históricos mais antigos (1796) de Melo e com forte ligação com a memória rio-grandense. Hoje restaurado e ocupado pelo Hotel Pousada La Comandancia, o endereço foi moradia da família de Cayetana Juana Francisca García González, a Caetana que, com 16 anos, casou em Melo com Bento Gonçalves, em 1814, e morou por mais de uma década em frente à casa dos pais. O local da residência do casal também está assinalado como sitio histórico da cidade.

 

Centenario de la Revolución de 1923 – A terceira e última etapa da agenda ocorre na cidade de Treinta y Tres e tem como referência a 11ª edição das Jornadas de Geohistoria Regional, atividade que reúne pesquisadores de todos os pontos do Uruguai e, eventualmente , convidados especiais do Brasil. É nesta condição que o jornalista e pesquisador da memória Brasil-Uruguai, João Alberto Dias Santos, apresenta, no dia 25, uma exposição sobre a programação criada pela CCJT e pelo Projeto Doble Chapa para o ano do centenário da Revolução de 1923. Exposição que destaca também aspectos “doble chapas” da guerra civil que se estendeu por quase 11 meses e custou mais de mil vidas.