CCJT inaugura a exposição "Pra lá de Marrakech"

Abertura da mostra contou com um bate-papo informal com André Borba, Stener Camargo e Bruno Saldanha, que falaram sobre suas experiências no Marrocos

A Casa de Cultura Juarez Teixeira (CCJT) inaugurou ontem (07) a exposição “Pra lá de Marrakech – impressões da festa, da cidade e do susto”, composta por mais de 50 fotografias feitas por quatro membros da comitiva caçapavana que esteve no Marrocos para a 10ª Conferência Internacional de Geoparques Globais da Unesco: o professor André Borba, coordenador científico do Geoparque Caçapava, o secretário de Cultura e Turismo, Stener Camargo, o estudante de Museologia, Bruno Saldanha, e o geólogo do Geoparque Caçapava, Marcelo Lusa.

A abertura da mostra contou com a presença de três deles, que relataram como foi a experiência no país africano, em um bate-papo informal. Segundo Borba, a Conferência é um evento científico e político, pois sempre são outorgados os certificados aos países que receberam o selo de Geoparque Mundial da Unesco no ano anterior, e também participam territórios aspirantes ao título e projetos de locais que querem o reconhecimento.

O professor também contou que todos se hospedaram em Riads (casas tradicionais marroquinas, construídas ao redor de um jardim) na Medina, a parte antiga de Marrakech. De acordo com ele, o espaço é composto por ruas estreitas, todas com pontos de comércio, e pela manhã, entre 8h e 11h, a praça do local tem pouco movimento, sendo dominada pelos encantadores de serpentes.

Bruno Saldanha, Stener Camargo e André Borba falaram sobre suas experiências no Marrocos

O terremoto

Enquanto a comitiva caçapavana estava no Marrocos para receber a certificação de Geoparque Mundial da Unesco, o país foi atingido por um forte terremoto. O professor André Borba relatou que estava no quarto do Riad quando os tremores começaram e teve uma sensação horrível, pois jamais esperara passar por isso. Acompanhado pela família na viagem, disse que quem teve a reação mais tranquila foi a filha pequena, e que ele só conseguiu relaxar quando chegou à Espanha, pois enquanto permaneceu no país africano, ficou apreensivo de que pudesse acontecer de novo.

Apesar do susto, o local onde Borba se hospedou não sofreu danos, assim como o Riad em que ficara o secretário Stener Camargo, que estava na rua com outros membros da comitiva quando o terremoto começou a ser sentido. Ele contou que seu primeiro pensamento foi de que se tratava da explosão de uma bomba. Todos ficaram parados, sem saber o que fazer. Então, uma multidão correu em direção a eles, que foram para um canteiro de obras para dar espaço para que passassem.

Depois disso, conforme Camargo, eles se dirigiram para a praça da Medina, onde ficaram até a 1h15min, quando voltaram para o Riad e foram informados que deveriam ir para um hotel de Marrakech, onde estavam brasileiros da equipe da Unesco e o embaixador do país no Marrocos. Mas isso não foi fácil. Além de todo o caos do momento na cidade, que dificultava o deslocamento, havia dois hotéis com o mesmo nome. Quando conseguiram chegar a um deles, quase ao amanhecer, descobriram que estavam no lugar errado.

Bruno Saldanha era um dos membros da comitiva que estava na rua com o secretário Stener Camargo no momento do terremoto. Ele disse que estava tirando fotos quando começou a sentir os tremores, primeiro fracos, mas logo ficando mais fortes. Até que a parede de uma mesquita próxima a ele caiu. No início da madrugada, assim como os companheiros, decidiu voltar ao local onde estava hospedado. No caminho, encontrou muitos escombros e teve de passar por cima deles. Mas quando chegou ao destino, não pode entrar, pois já não havia mais ninguém lá. Somente no dia seguinte conseguiu recuperar seus pertences.

Os três membros da comitiva também contaram que só recebiam notícias sobre o que estava acontecendo através da imprensa brasileira, pois a marroquina é controlada pelo rei, e a população só fica sabendo o que é autorizado. Pelas ruas, há policiais à paisana, o que viram de perto quando um deles se identificou a um dos membros da comitiva, pediu para ver seu celular e que ele apagasse um vídeo que mostrava o início de um protesto.

A exposição “Pra lá de Marrakech – impressões da festa, da cidade e do susto” segue até 31 de outubro, na Casa de Cultura Juarez Teixeira (General Osório, 730).

A entrada custa R$ 5,00 e o horário de funcionamento é de quinta a domingo, das 10h às 12h e das 14h às 17h.

Excepcionalmente, hoje (08) a CCJT estará aberta até às 18h.