Não, desta vez não vou acreditar. Não tenho lá muitas esperanças de que o Brasil vá ser hexa. Esta nossa seleção me parece muito festeirinha no seu futebol, meio criançola, parece que estão lá no Qatar para brincar. E o Tite me parece meio padreco, um tanto quanto ingênuo, deslumbrado com as suas teorias e o seu palavreado cheio de frases de efeito e rebusques de linguagem.

Quando a gente vê as fotos dos jogadores de futebol brasileiros que ganharam as Copas anteriores, parece que eles eram uns senhores de meia-idade, com autoridade e atitude de gente madura, decididos a superar dificuldades dentro e fora das quatro linhas.

E tem também as tragédias não previstas, mas acontecidas: numa delas, foi o Ronaldo Fenômeno que teve um piripaque antes da partida decisiva contra a França; noutra, o Felipe Melo pisou, sem mais nem menos, no holandês Robben, foi expulso, e perdemos de virada; e na dos doloridos 7×1 para a Alemanha, o Neymar foi lesionado por um colombiano com um joelhaço nas costas, como castigo pelas “frescurinhas” que vinha fazendo em campo, dando chapeuzinho, lençóis e janelinhas desnecessárias para quem quer ganhar uma Copa do Mundo.

Na Copa de 1958, conheci os caras que jogaram pelas fotos que imprimiram nuns pentes para cabelo vendidos na venda do meu tio, lá no Durasnal. Em 1962, acertei o resultado de Brasil x Checoslováquia (4×2) no jogo em que o Amarildo substituiu o Pelé, e ganhei o buquemeque do bolicho do José Abel, da Coronel Romão.

Na Copa de 1970, assisti o primeiro tempo de Brasil x Bulgária em uma televisão preto e branco instalada ao relento na região da Serra de Itatiaia, Estado do Rio, onde fazia um frio noturno de dois graus; e na final, eu estava internado no hospital da AMAN, tratando de um inchaço no joelho adquirido durante o estágio de montanhismo, e assisti ao jogo junto da freira enfermeira que fazia o sinal da cruz cada vez que o Brasil fazia um gol contra o Uruguai.

Mas mais uma vez estamos vestidos de verde e amarelo (será que já pode? Não está mais proibido usar as cores da Bandeira Nacional de um país polarizado pela política doentia, que divide as pessoas entre bons e maus?). Tomara, minha gente, que eu esteja equivocado ou mal informado. Tomara que sejamos hexacampeões mundiais de futebol, e eu tenha de vir aqui me desculpar pela falta de confiança nessa primeira Copa do Mundo árabe, Qatar.

Grande Copa a todos que podem torcer pelo esporte das multidões brasileiras.