Crimes estúpidos

“O mundo velho anda virado e vai piorar se ninguém se der conta que ainda dá tempo para brecar essa progressão danosa”

Ocorreu mais um crime estúpido, numa pequena escola de uma pequena cidade do interior do nosso estado, Estação, pertinho de Erechim, com a morte de uma criança de nove anos e ferimentos bárbaros numa professora e em outros alunos, por parte de um adolescente armado de duas facas, ou uma faca e um facão, ditas armas brancas.

Como consequência, aparecem especialistas em segurança, policiais, educadores e políticos diagnosticando causas e receitando remédios para essas tristes mazelas que, aliás, vêm acontecendo em toda parte do mundo. E algumas mães desesperadas, clamando às autoridades por alguma providência milagrosa que proteja a integridade de seus filhos pequenos que frequentam outras escolas. Como se fosse possível alguém proteger a todos, pois são ações fora do normal, praticadas por alguém acima de qualquer suspeita e improvável psicopata.

Produzem conselhos, diagnósticos, remédios e providências urgentes que, daqui a uma semana, ninguém lembra mais. A não ser os familiares das vítimas inocentes e indefesas por natureza.

Todos os dias ditos úteis da semana, pelo menos três canais de TV ocupam a programação da tarde com reportagens policiais sensacionalistas a cerca de roubos, latrocínios, assaltos, mortes e muito trabalho para polícias e guardas municipais das grande cidades, capitais de estado e megalópoles em geral. Tais crimes já chegaram às pacatas cidades do interior.

O Governo, o Supremo e o Congresso Nacional debatem, discutem, votam e fazem mídia sobre a tal da regulação das “mídias sociais”, sendo que tudo que está sendo proibido ou controlado já está incluído nas milhares de leis deste país. As tais de fake news são consideradas o demônio do mundo e a elas se atribuem os males da sociedade. Então, é preciso regular as redes sociais: só pode ser publicado o que não for prejudicial, mentiroso, racismo, homofobia, etc. etc. e tal. Só que ainda não disseram quem é que vai ser o “super sensor” capaz de regular as falas e as postagens de mais de 200 milhões de brasileiros, dos mais variados níveis culturais, com interesses os mais diversos.

Na história recente do nosso País, houve dois períodos com a censura oficial escancarada e operante: nos regimes autoritários de Getúlio Vargas e depois da Revolução de 64.

O que o mundo precisa e, por consequência, o que a sociedade urge se dar conta é que os direitos atualmente são “de mais”, extravasam “os sacovás”. vivemos na era do mimimi, da frescura e da perda dos valores importantes. Os alunos não são iguais aos professores dentro do colégio; os homens não são iguais aos cachorros; e as autoridades constituídas precisam manter o seu status e poder de mando verticalizado. A hierarquia social existe e precisa ser exercitada e respeitada.

Filho não respeita nem obedece os pais, mães defendem os pequenos marginais (alguns) que frequentam as escolas e desobedecem os professores. Professor não é babá de aluno e nem os mais velhos podem aceitar o desrespeito dentro da própria família, sob argumento de autoritarismo, grossura e até homofobia. Ninguém está obrigado a aceitar a convivência social com indivíduos desajustados e suas idiossincrasias em nome da modernidade.

Por isso e por muitas outras coisas do gênero que nem encadeei aqui, o mundo velho anda virado e vai piorar se ninguém se der conta que ainda dá tempo para brecar essa progressão danosa.