Era uma vez uma princesa que estava prestes a se casar. Mas essa não é uma estória de fadas clássica. A trilogia “Crônicas de amor e ódio” tem um tom mais sombrio e mitológico. Lia, a princesa, não é do tipo que espera o príncipe encantado vir salvá-la. Ela quer ter as rédeas da própria vida, tomar as próprias decisões. Lia representa a força feminina.

Composta por The kiss of deception, The heart of betrayal e The beauty of darkness, “Crônicas de amor e ódio” conta uma única estória, diferente de Harry Potter, por exemplo, em que cada livro tem certa independência e tudo se resolve no final. Por isso, falo apenas do que se passa no primeiro livro.

Em The kiss of deception, vemos Lia passando por um ritual para seu casamento com o príncipe de Dalbreck, reino vizinho ao dela, Morrighan. Mas algumas coisas a preocupam. Por ser a Primeira Filha, ela deveria herdar um dom de sua mãe, mas ele ainda não despertara, e já estava bem atrasado. O que é esse dom não fica claro no início. Tudo que se sabe (ou se acredita?) é que ele foi concedido pelos Deuses à Primeira Filha original, Morrighan, que, utilizando-o, conduziu os Remanescentes da destruição a um lugar seguro em que puderam recomeçar suas vidas. Mas que destruição foi essa não é explicado de forma clara, o que se diz é que havia um povo poderoso, os Antigos, que foi quase totalmente aniquilado em algum momento por Abutres.

Além da questão do dom não se manifestar no tempo devido, há um mistério acerca de Lia. Um segredo guardado a sete chaves esconde algo que está traçado em seu destino e se revelará crucial para o futuro dos três grandes reinos desse mundo: Morrighan, Dalbreck e Venda.

O objetivo do casamento entre Lia e o príncipe é formar uma aliança entre seus reinos, mas isso não será alcançado, pois a princesa não aceita se casar com alguém que sequer viu uma única vez e foge, levando consigo sua amiga Pauline. Elas terão que se esconder ou serão enforcadas por traição.

Diferentemente do governo de Morrighan, o príncipe de Dalbreck fica muito impressionado por Lia ter tido coragem de fugir de um casamento que não queria (já que ele não teve…) e, apesar da fuga ter criado uma crise entre os reinos, volta a Morrighan e vai atrás dela para conhecê-la.

Muitos perigos se escondem pelo caminho de Lia e Pauline: os bárbaros habitantes de Venda, animais selvagens da floresta e o Assassino enviado pelo Komizar (equivalente ao rei) de Venda para matar a princesa. Como se isso não bastasse, com a fuga de Lia e o abalo que isso causou, os vendanos se sentem encorajados a atacar Morrighan, e uma guerra está prestes a começar.

O leitor deve estar muito atento aos narradores. A estória é contada através das vozes de Lia, do Príncipe, do Assassino e de Pauline. Ao início de cada capítulo, é indicado quem conta aquele trecho através de seus nomes ou funções, exceto no caso de Lia. O uso de sua voz é marcado pela ausência de indicação. Muitas vezes, ansiosa para descobrir o que acontecera, acabei não atentando a quem seria o narrador e precisei voltar para ver quem falava ao perceber que algo não fazia sentido.

Enquanto avançamos na estória de Lia, conhecemos parte da mitologia de Morrighan e de Venda. Seus mitos são muito parecidos, mas possuem diferenças que põem em dúvida se realmente tudo ocorreu como se acredita. Serão os mitos verdades como acreditam os povos a quem eles pertencem? Nem tudo é o que parece nesta trilogia…

 

Referências:

PEARSON, Mary E. The kiss of deception. Tradução: Ana Death Duarte. 1ed. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2016. 384p.

______. The heart of betrayal. Tradução: Ana Death Duarte. 1ed. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2016. 402p.

______. The beautiful of darkness. Tradução: Ana Death Duarte. 1.ed. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2017. 576p.