Devaneios

Cada vez explodem mais bombas, que destroem mais cidades e instalações; se produz mais concreto para reconstruir o que não precisava ser destruído, para daqui a pouco vir ao chão de novo, numa rotina de sofrimentos e superações sem limites para as pessoas inocentes

Sim, apenas algumas reflexões “raluscas”, ou dispersas, no inicio de um novo ano, como queiram…

Outra vez, mais um ano se iniciando, introduzido em nossas vidas pela convenção do Calendário Gregoriano, criado pelo Papa Gregório XIII, em 1582. Tempo de muito pensar, de retrospectivas e retrospecções, numa simbiose “madorrenta” e pleonástica desse clima de calores extremos e impactantes que o fenômeno El Niño trouxe para os sul-americanos.

Quantas coisas, boas e não tão boas, aconteceram nesses últimos meses! Quanta gente nasceu, alegrando famílias, e quantas outras morreram, entristecendo pessoas, sem justificativas plausíveis e até sem aviso prévio, para prevenir surpresas. E ainda as catástrofes de clima e de guerras, devastando vidas e mundos sob a desculpa de interesses e distúrbios diversos: políticos, econômicos, ideológicos, etc. Pelo menos sem pandemias de pestes e mazelas ceifadoras mundanas.

Cada vez explodem mais bombas, que destroem mais cidades e instalações; se produz mais concreto para reconstruir o que não precisava ser destruído, para daqui a pouco vir ao chão de novo, numa rotina de sofrimentos e superações sem limites para as pessoas inocentes, custando sempre muito dinheiro.

Amores foram desfeitos, e outros amares também foram enlaçados, nessa busca sem final de querer viver melhor e menos só, nestes tempos em que ninguém mais tem paciência, resiliência e perseverança para superar obstáculos de relacionamentos fugazes, sob interesses supérfluos, no descarte inconsequente das relações ocasionais.

De repente, não mais que episodicamente, paramos para pensar e nos damos conta de que a estrada está se encurtando, e os planos, os sonhos, as realizações e até os valores adquiridos já estão perdendo importância, diante da rotina da vida que se esvai junto às folhas descartáveis dos calendários carrascos. Então, não sobra muito mais do que a decisão de viver mais um bocadinho rebelde, na essência de desafiar infortúnios e construir atalhos para buscar paz de espírito e corpo saudável, sempre no encalço dessa tal felicidade, que todo mundo propaga e apregoa, mas que muito pouca gente alcança.

Não havendo remédios milagrosos para curar os males do mundo, penso que o amor próprio ainda pode nos trazer dias de esperança para outros períodos de aprendizados conscientes e edificantes para cada um de nós e para todos nós. FELIZ ANO NOVO, pois 2023 já se foi, e até nem volta mais, pois, afinal, para adiante é que se anda e para o alto é que se mira, de “revesgueio”, preferencialmente.