Dia Internacional da Mulher: saiba mais sobre o cotidiano de Dona Rosa, a taxista de Caçapava

“É preciso lutar! Levantem a cabeça e sejam aquilo que realmente desejam ser. Essa ideia de que há determinados trabalhos para homens e outros para mulheres não existe”

Por Luiz Felipe de Oliveira

DOna Rosa
Crédito: Luiz Felipe de Oliveira

Mesmo quem não tem o costume de andar de táxi pelas ruas de Caçapava já deve ter ao menos ouvido falar da Dona Rosa. A caçapavana Rosa Ledalir Corrêa Teixeira tem 67 anos e, há 11, trabalha como taxista na cidade e no interior.

Como hoje (08) é comemorado o Dia Internacional da Mulher, resolvemos homenagear essa grande motorista com uma matéria especial. Assim, o leitor poderá conhecer um pouco do cotidiano de uma mulher que tem como profissão uma atividade que, muitas vezes, é considerada como exclusiva de homens.

– Há 11 anos, quando eu cheguei aqui na praça achei que não ia receber um voto de confiança da parte dos homens, porém eles me apoiaram muito em abraçar a minha nova profissão – comenta Rosa, sobre o seu primeiro dia de trabalho.

Porém, a taxista revelou que também ouve muitos comentários negativos, de homens e mulheres, a respeito da profissão que exerce.

– Ouço sempre os mesmos comentários, “isso não é serviço para mulher!”; “essa hora a mulher tem é que tá em casa!”; mas isso não quer dizer nada, a gente levanta a cabeça e segue batalhando para conquistar aquilo que queremos. Hoje a mulherada está se assumindo e sabendo o que querem para si mesmas – diz.

Sobre a rotina dentro do táxi, Rosa explica que, como em toda profissão, existem lados bons e ruins; mas que a parte boa se sobressai.

– Por exemplo, agora estou te dando esta entrevista, isso é muito bom; já a alguns minutos atrás, eu estava com um passageiro que estava me contando sobre a sua vida, do tempo que viajava bastante. Assim que cada pessoa entra no carro e fecha a porta, uma nova e diferente história começa. Isso é muito gratificante! – conta.

Sobre o lado ruim, a motorista lembra de alguns assaltos que sofreu durante o expediente, e encara essas experiências com tranquilidade, como algo que faz parte da vida. Diz que isso não é capaz de desanimá-la, pois segue o seu rumo sempre firme e forte.

E para todas as mulheres de Caçapava que desejam ingressar em uma profissão fora do padrão da sociedade, Dona Rosa manda um recado:

– É preciso lutar! Levantem a cabeça e sejam aquilo que realmente desejam ser. Essa ideia de que há determinados trabalhos para homens e outros para mulheres não existe – afirma.