Os cento e noventa anos de Caçapava do Sul emancipada foram brilhantemente festejados. Não faltaram profissionais de todas as artes e ofícios que a exaltaram nos eventos da Semana. E como fecho de ouro, o Sr. Prefeito apresentou o presente que a Administração Municipal vai deixar como lembrança desta data.

No “pacote”, muitos projetos de obras há tempo esperadas pelos caçapavanos já estão em andamento, com a aprovação dos Legisladores, e verbas devidamente aprovadas. Entre elas, calçamentos de ruas, reparos de estradas e pontes municipais, reformas em escolas, melhores condições de atendimento nos postos de saúde, albergue permanente para os sem-teto, bolsa-família e outros tantos investimentos que fazem de uma cidade um lugar feliz e aprazível para seus moradores.

Mas… Sempre há um “mas”. Dei falta de um projeto que seria a cereja do bolo nesse presente: o Parque da Fonte do Mato. Há poucos anos, tivemos o prazer de vê-lo sair do papel e transformar-se num local que a cidade sempre almejou. Cheio de árvores nativas, cheirinho de mato e de flores, como as madressilvas que eu encontrava em quantidade na minha infância, e o murmúrio cantante da água sempre correndo e que nunca nos faltou.

Gloriosa fonte que merece todo o nosso respeito. Nesta Clareira da Mata, sem rio por perto e sem árvores nas ruas, ela matou a sede das famílias da cidade, lavou sua roupa, foi o ganha-pão do Noca, do Lulu e sua prole, bem como o sustento das lavadeiras de outras épocas.

Nos domingos de sol de minha infância, a Fonte do Mato era o nosso passeio predileto. Eu e meus irmãos – e às vezes alguma menina vizinha –, pelo meio da rua, íamos cantando, pulando, rindo na alegria da inocência, e nossos pais logo atrás em suas intermináveis e amorosas conversas. Mamãe levava bolo ou pão batido, algumas rosquinhas ou pastéis, e nós não víamos a hora de saboreá-los. Refrigerante nem era preciso. Bastava-nos a água fresquinha e tão límpida da fonte, que não parava de correr da bica sem torneira.

As mocinhas da época convidavam os namorados forasteiros para esse passeio. Pois dizia a lenda que quem bebesse da água da fonte voltaria sempre. E a profecia se realizava, quantos casais assim se formaram.

O renascimento do local foi um sonho há muito acalentado. Um Parque assim, com árvores nativas, trilhas perfumadas de flores, cascatinhas e pontes, e ainda um anfiteatro ao ar livre para os eventos, que maravilha! As árvores plantadas nos faziam planejar futuras tardes à sua sombra, ouvindo e vendo a água correr e o canto dos pássaros procurando seus ninhos…

Mas os anos passaram, as mudas de árvores morreram, o local foi interditado por falta de condições. O plano de uma cafeteria foi esquecido. E outros tantos. Que pena!

Mas a esperança é uma velha companheira que nunca me deixou na mão. E o milagre vai por certo acontecer.