Escândalos na República

“Será que também é assim em outros lugares do mundo? Será que o dinheiro público é dividido sem escrúpulos entre “eles”, e de dia claro, em rachadinhas, propinas e favorecimentos contratuais em tudo quanto é lugar?”

O grande presidente Getúlio Vargas, gaúcho de São Borja, assumiu o governo federal em 1930, por meio de uma revolução liberal que teve como objetivo principal modernizar o país, então agrário, e acabar com a famosa política Café com Leite, que alternava no poder políticos de São Paulo e de Minas Gerais. O Brasil era governado por oligarquias cafeeiras.

Getúlio foi ditador por 15 anos, fez evoluir a nossa economia, industrializando alguns setores, e instituiu alguns avanços na legislação trabalhista, criou a Petrobras e a CLT, mas acabou renunciando por pressões militares por mais democracia, em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, quando cerca de 25 mil brasileiros lutaram na Europa contra o nazi-fascismo. Voltou, pelo voto popular, para governar de 1951 a 1955. Nesse seu último mandato, vieram à tona inúmeras falcatruas e negociatas nas quais estavam envolvidas pessoas da sua confiança e alguns parentes seus, de dentro do então Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, que era a sede do governo federal.

Entre 2003 e 2005, foi descoberto um esquema fraudulento de propinas e compras de votos, processado na Vara Federal de Justiça de Curitiba, chefiada pelo então juiz Sérgio Moro e que acabou condenando muitos políticos corruptos e algumas empresas de expressão nacional (Odebrech, OAS, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, etc.). Foi um baita escândalo que atingiu preponderantemente as estruturas nacionais do Partido dos Trabalhadores, inclusive com o Lula sendo condenado em três instâncias.

Antes das eleições nacionais de 2018, a Justiça Suprema do país “descondenou” o presidente Lula, que se encontrava preso em Curitiba, para evitar as ameaças autoritárias do jeito de governar de Jair Bolsonaro, candidato à reeleição. O “sistema” preferiu não correr o risco de um novo mandato liberal de direita.

Em 2025, estourou outro escândalo, no INSS, com o roubo deslavado de aposentados de todo o nosso território. Pelo que se conhece pela imprensa e pelas redes sociais, há gente influente e poderosa envolvida nesse esquema fraudulento.

E agora, já entrando no ano da graça de 2026, surgiu outra bomba nacional, com a decretação falimentar do Banco Master. Desta vez, arrolam-se políticos e parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, que imaginamos serem os guardiões da Justiça Superior da nação. Fala-se que a esposa de um ministro teria um contrato advocatício de R$ 129 milhões com esse banco, e que irmãos de outro magistrado seriam associados a empreendimentos de turismo com o tal banco e outras paradas mais. Semana passada, a poderosa Rede Globo publicou prints de trocas de mensagens do Xandão com o dono do Banco Master, Vorcaro.

As fofocas correm soltas, os políticos se esforçam para tirar proveito dessas situações, e o povo assiste embasbacado, mas indiferente, aos noticiários dos diversos canais de televisão, tentando entender se isso é uma doença grave com que os corruptos nascem ou é a cultura da ladroagem que existe em nosso país desde a chegada das cortes portuguesas.

Será que também é assim em outros lugares do mundo? Será que o dinheiro público é dividido sem escrúpulos entre “eles”, e de dia claro, em rachadinhas, propinas e favorecimentos contratuais em tudo quanto é lugar? E não escolhe caminhos: é na saúde, nas obras, nas ONGs e até nos gabinetes com ar refrigerado. Será que até na Suprema Corte de Justiça?