Não quero ser um desmancha-prazeres dos leitores apaixonados por futebol, que ficaram tristes e sofreram uma decepção porque o Brasil saiu da Copa do Catar, de novo, e desta vez nos pênaltis. Culpa do Tite, que mexeu duas vezes errado no time que estava ganhando, no intervalo da prorrogação, abriu a defesa e não mandou segurar o jogo, amorcegando o final. E ainda foi covarde quando abandonou seu grupo desolado no meio do campo e foi se esconder no vestiário.

Mas como eu não acreditava, não cheguei a ficar decepcionado com o desfecho da ocorrência. A grande mídia esportiva é que endeusa esses milionários jogadores de futebol profissional do nosso país que jogam na Europa.

Aliás, eu acho que essa mania de idolatrar jogador de futebol, ator de novela e cantor de música popular é uma falha de formação da personalidade do povo brasileiro. Ninguém se lembra dos feitos daqueles que construíram nossa história, de um antepassado que venceu na vida, trabalhando duro para poder educar os filhos e alimentar a família. Não, nós saturamos as redes sociais com fofoca sem conteúdo sobre a vida dos outros e, principalmente, sobre a vida particular desses famosos, só porque eles ganham muito dinheiro fácil e vivem de extravagâncias. Causando nas redes sociais.

Muitas vezes, são adjetivados de “heróis” nas vitórias, quando, na verdade, heróis foram os que lutaram nas guerras, alargaram nossas fronteiras e desbravaram nossos caminhos no passado. Herói é o pai de família que sobrevive com o ganho de um salário mínimo para pagar aluguel, água, luz e telefone, e ainda colocar comida na mesa.

Assim como para vencer na vida é preciso de muita luta, determinação e seriedade, foco mesmo, ganhar uma Copa do Mundo é muito mais do que vencer algumas partidas de futebol nos ricos tapetes de grama que a FIFA constrói para fazer turismo e encher ainda mais os bolsos de alguns poucos que vivem disso em seus castelos de fama e glamour.

Não simpatizo com o mimimi desses atletas e seus estafes, que mais parecem celebridades em seu modo de viver artificial. Acabou o tempo de morrer em campo pelo simples honrar da camisa que representa uma “Pátria de chuteiras”. Um cara que só faz jogar futebol não consegue acertar uma cobrança de escanteio e nem de um pênalti?! Será que não foi treinado para essa possibilidade? Um goleiro que não é capaz de esperar parado embaixo das traves a cobrança do adversário para tentar pegar a bola. Se o nosso arqueiro gaúcho tivesse ficado parado no meio do gol, duas bolas cobradas pelos rústicos croatas teriam batido nele. Já vai longe o “vai que é tua, Taffarel” de tão ricas boas lembranças.

Futebol, nós temos, mas “sangue no olho” na hora de decidir uma eliminatória, desta vez, não tivemos. Escolhemos uma firula, uma queda desnecessária na tentativa de enganar o juiz, ou uma tirada de pé nas divididas. Em jogo de Copa do Mundo, tem que ir na bola com a determinação de um porco faminto num cocho de lavagem, com a raça de um javali selvagem, mordendo em campo, como se diz na gíria dos peladeiros.

Mas, como prêmio de consolação, 2026 tá logo ali. Graças a Deus, sem o Tite, pelo menos.