Exposição apresenta documentos originais e inéditos sobre Minas do Camaquã

Mostra reúne os acervos da CCJT, de Norberto Ornelas, mestrando em Ciências Sociais pela UFSM, e de Lorenzo Pergher, estudante da escola Gladi Machado Garcia e morador das Minas

O documentário “Minas do Camaquã: uma história para ensinar”, que foi apresentado no domingo (13), na Casa de Cultura, chegou acompanhado de uma exposição que reúne os acervos da CCJT, de Norberto Ornelas, mestrando em Ciências Sociais pela UFSM, e de Lorenzo Pergher, estudante da escola Gladi Machado Garcia e morador das Minas. Ambos são da equipe do filme. 

Dos documentos expostos, alguns são originais e raros, relacionados com as administrações estrangeiras alemã e belga, e serão mostrados pela primeira vez. Por exemplo, um contrato de concessão de pesquisa de lavra das Minas do “Camaquam”, assinado entre o coronel João Dias dos Santos Rosa, filhos e genros, e Maximiliano Sainger, datado do final de 1898; da mesma época, documentação de compra e venda de terras (três quadras de légua de campo em área com indícios de minério de cobre) entre as mesmas partes; e, ainda do século 19, uma escritura de venda de terras, feita também pelo Coronel João Dias para o senhor José Gonçalves Chaves, em 1899.

Já de 1902, na fase belga, um contrato para instalação de uma casa comercial nas Minas detalha a negociação entre a Cia das Minas de Cobre de Camaquam, representada por seu diretor, Odone Herdennie, e os comerciantes Favorino Dias e João Feliciano Dias, e traz uma série de curiosidades.

A concessão, pelo prazo de um ano, não permite que outra casa de comercio seja estabelecida na sede das minas. Por outro lado, os concessionários são obrigados a manter a casa bem suprida, com todos os artigos necessários para a população, especialmente mantimentos. Eles não podiam cobrar dos operários preços superiores aos cobrados de outras pessoas estranhas à mina. O preço de alguns produtos básicos, como arroz, feijão e farinha, entre outros, era calculado de dois em dois meses da seguinte forma: o preço líquido por atacado nas praças de Pelotas e Rio Grande, acrescido das despesas de transporte até as minas, aumentado com uma quota que não poderia ser superior a 20%.

Outra curiosidade: era expressamente proibido vender bebidas aos moradores durante as horas de trabalho, sob pena de ter o estabelecimento fechado completamente. 

Também em exposição, uma procuração de 1905, em francês, para a Societé de Mines de Cuivre de Camaquam, em nome de Ludvig Kloz e José Gonçalves Chaves (documento ainda a ser traduzido). 

Estarão expostos, ainda, fotos, equipamentos da CBC (como capacete e placas), amostras de cobre, plantas, mapas, edições do jornal O Minerador (de circulação interna da comunidade), um retrato a óleo e a carta de despedida de Baby Pignatari, além de uma central telefônica que era da Mina e foi restaurada pela CCJT. 

O filme “Minas do Camaquã: uma história para ensinar” (28 min) tem direção de Ana Julia Rodrigues e Nadriel Massaia, estudantes de Comunicação da UFSM. O documentário é fruto da pesquisa realizada por Norberto Ornelas e Lorenzo Pergher.