“Caxias, quando sufocou os Farroupilhas que combatiam a cavalo, mal armados, mal supridos e treinados nas estâncias, apenas organizando tropas e meios de combate, já sabia que quem vence batalhas – e até guerras – é, majoritariamente, a Logística”
Já faz quatro anos que a Rússia invadiu a Ucrânia, e aquilo que eles imaginavam que seria jogo rápido se transformou em luta renhida entre eslavos do Norte, com muitas alternâncias de posições conquistadas e perdidas. Inauguraram uma nova era nos combates, agora os ataques são feitos por mísseis teleguiados e drones devastadores. Um país ataca o outro sem ver a cor dos olhos do inimigo.
Há pouco mais de um ano, foram as forças altamente profissionais de Israel que arrasaram a Faixa de Gaza para aniquilar o Hezbollah, desta vez, empregando aviação e tanques de guerra com grande poder de fogo.
Recentemente, os Estados Unidos, ou as forças de Donald Trump, junto às de Israel, iniciaram um bombardeio seletivo contra pessoas e instalações do Irã, que, segundo eles, estaria fabricando artefatos nucleares a ponto de ameaçar a existência do Estado Judeu, criado logo após o fim do Holocausto da Segunda Grande Guerra.
Tenho lido e assistido análises e comentários abordando a possibilidade de um grande conflito estar para se iniciar, inclusive com a possibilidade de invasão em massa de tropas terrestres ao território iraniano. Garanto-lhes que isso não vai acontecer e lhes explico o porquê da minha assertiva.
Quando comandei o Batalhão Ferroviário de Lages, de 1997 a 2001, havia um major americano (Riera) que fazia um estágio de dois anos na área da Engenharia de Construção (em que os militares brasileiros têm expertise) e que havia participado da invasão ao Iraque alguns anos antes. Era um intercâmbio profissional entre o Exército Brasileiro e o Exército Americano ainda em curso nos dias de hoje, com outros militares em outros quartéis.
Pedi que ele preparasse uma palestra para ser ministrada aos nossos oficiais sobre suas experiências naquele conflito bélico, focando no emprego dos meios de Engenharia (manutenção e desobstrução de estradas, minas terrestres, explosivos, pontes e lançamento e construção de obstáculos de diversos tipos). Depois, consegui que ela fosse ministrada em todos os quartéis de Engenharia do Comando Militar do Sul (Lages, Cachoeira do Sul, São Gabriel, Alegrete, Dom Pedrito, Santa Maria e Porto União).
Para enfrentar um exército muito amador e despreparado como era o do Saddam Hussein, sem equipamentos modernos e mal treinado, os americanos se prepararam por cerca de nove meses acampados no deserto, no Kuwait e na Arábia Saudita, mobilizando tropas e preparando material bélico e de engenharia para um ataque transbordante frente ao grosso das tropas inimigas.
Uma coisa seria um ataque limitado e localizado, partindo de tropa embarcada em navios, ou o lançamento de aerotransportadas; outra coisa é deslocar milhares de soldados a uma distância média de 10 mil quilômetros e manter a logística de combustível, munição, comunicações e evacuação de saúde e uma gama imensurável de equipamento de uso militar.
Caxias, quando sufocou os Farroupilhas que combatiam a cavalo, mal armados, mal supridos e treinados nas estâncias, apenas organizando tropas e meios de combate, já sabia que quem vence batalhas – e até guerras – é, majoritariamente, a Logística. Assim o foi também com a força da indústria americana que derrotou a antes potente Alemanha, em 1945. Neste caso, os Russos também somaram forças para vencer o nazifascismo que dominou a Europa pela força. Mas aí já é outra história.
Não vai haver a Terceira Guerra Mundial, pelo menos por enquanto, até porque os governantes Aiatolás, autodenominados Persas, não são lá flor que se cheire no âmbito do vasto Mundo Árabe.