Em função da pandemia, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, despejou na economia cerca de US$ 4,3 trilhões, o que, em real, significa mais de R$ 24 trilhões. Há algum tempo, existiam comentários de que estes recursos começariam a ser recolhidos, ou seja, o Fed iniciaria a reduzir a compra de títulos, afetando toda a economia global, principalmente as emergentes. Isso é um prenuncio de que o juro americano vai subir e, com juros mais altos, o fluxo de dinheiro internacional para os EUA aumenta. E aí a guerra começa, e cada um também eleva as taxa tentando segurar recursos. Isso influi diretamente na cotação das moedas. Entendendo, os investidores, para sacar recursos de países emergentes e aplicar nos desenvolvidos, necessitam trocar a moeda local por dólares, e esta maior demanda pressiona a alta do dólar. Inclusive, em relação a esta notícia, este movimento já era esperado e está refletido na alta da moeda americana no mercado futuro. A alta do dólar significa mais inflação, já que o câmbio provoca impacto direto no preço de produtos e insumos importados. Hoje, todas as economias já estão sentindo a valorização da moeda americana, o que deverá se intensificar com esta notícia trazida pelo Fed. Sem dúvida nenhuma, a surpresa foi pequena, porque o mundo já esperava este movimento. Portanto, o mercado já estava mais ou menos preparado e possivelmente programando formas de redução do impacto.

 

Impacto na economia brasileira

Sem dúvida nenhuma, o impacto do fechamento de torneiras na economia americana será significativo aqui no Brasil. A tendência é que o voo das verdinhas se intensifique mesmo que o Banco Central brasileiro continue forçando a alta nos juros, porque hoje, a taxa Selic elevada convive também com alta taxa de inflação. Isso tudo aponta para dificuldades no crescimento econômico, e alguns analistas já projetam alta do PIB um pouco acima de zero, enquanto outros falam de números negativos em 2022. Se isso vier a acontecer, significaria estagflação, ou seja, baixo crescimento econômico com inflação elevada. O movimento do dólar americano deve ser somado aos problemas estruturais da economia brasileira no momento, tais como a intranquilidade pelo desequilíbrio nas contas públicas, a crise hídrica que provoca aumentos significativos nos custos de produção e também na economia doméstica. Para 2022, deve ser levado em conta, também, as eleições, que sempre trazem sensação de insegurança e, com isso, os investimentos se retraem. Tudo está apontando para um fraco potencial de crescimento para a economia brasileira no próximo ano. A conjuntura mundial está desfavorável e, internamente, pouca coisa ajuda. Fica muito difícil achar ações que possam diminuir as incertezas, ou seja, no futuro próximo, os mares serão revoltos, mas como em outras vezes, fica a certeza de que os problemas serão resolvidos, mas é bom estar preparado.

 

Dia dos Solteiros!

O comércio e a indústria estão sempre na busca de motivos que incentivem a produção e o consumo. Por aqui, as datas são pródigas. Ano Novo, Carnaval, início das aulas, Páscoa, Dia das Mães, Mês das Noivas, Dia dos Namorados, Festa Junina, férias de julho, Dia dos Pais, Semana Farroupilha, Black Friday, Natal, etc. Ontem, 11 de novembro, a China comemorou o Dia dos Solteiros. É um verdadeiro dia de entretenimento, com muita festa e convite ao consumo. Dizem que este dia, criado pela Universidade de Nanquim em 1993, foi escolhido pelo fato do numero um representar uma pessoa sozinha. Em 11 de novembro, são quatro “uns” (1.1.1.1), representando quatro pessoas solteiras, uma ao lado da outra. É uma verdadeira maratona de compras, na qual a Alibaba Group, um gigante do varejo chinês, investiu mais de 16 bilhões de dólares nas vendas para esta data. Mas como a China enfrenta uma escassez de oferta, o governo utilizou estratégias para arrefecer o consumo em busca da prosperidade comum. O governo chinês sabe que pouca oferta e aquecimento no consumo faz crescer os preços e o desequilíbrio econômico acontece. Por aqui, o Dia dos Solteiros é comemorado em 15 de agosto, mas a data ainda passa despercebida. Se já tem o Dia dos Namorados, é necessário também ter o Dia dos Solteiros. Como o brasileiro já incorporou a Black Friday americana, pode também promover o Dia dos Solteiros em 11 de novembro, copiando a China.

 

Pense

Destino não é uma questão de sorte, mas sim uma questão de escolha.