Quando vejo na “folhinha” mais um feriadão, fico bem preocupada. Pois é quando as estradas ficam mais perigosas, e os acidentes fatais acontecem.

Motoristas de todos os tipos aparecem nesses dias de trânsito intenso, muitos deles – talvez a maioria –, espera-se que sejam habilitados e obedeçam às medidas de segurança, com a documentação e o carro em plenas condições de tráfego. Outros, no entanto, sem essas qualificações, alguns sem carteira de habilitação, indiferentes à vida e ao bem-estar dos demais viajantes que almejam o mesmo objetivo: aproveitar os dias de folga para respirar novos ares e sair da rotina. Ou rever familiares para matar as saudades.

O feriado de 15 de novembro não foi diferente. Acidentes vitimaram famílias inteiras. Uma ultrapassagem indevida na Serra gaúcha matou o pai e uma criancinha de colo. Sobrou a mãe que provavelmente desejou morrer junto. O motorista culpado ia sozinho e fez a manobra num trecho perigoso que não a permitia. Ele também morreu, e sua imprudência arrastou consigo aquela família inocente. Dói demais.

O diretor da minha querida Escola João Neves não cansava de ensinar-nos esse preceito: “Somos livres, como pessoas, mas nossos direitos de fazer o que nos convém termina onde começa o direito do outro.” E nós, normalistas, achávamos sua lição tão fácil de entender!

Hoje, no Brasil, ainda se discute a obrigação de ser vacinado e comprovar a vacinação. A ala governista defende a liberdade individual e desautoriza as medidas de segurança contra a Covid-19, que só tende a desaparecer quando a maioria da população estiver vacinada. Os demais países acatam essa recomendação, mas parece que só o Brasil proclama a liberdade individual como soberana. E manipula Câmara e Senado para contradizer as exigências do patrão, que apenas aceita em suas empresas os trabalhadores que apresentarem certificado de imunização e testagem negativa para a Covid-19. Sua intenção não é a de prejudicar o empregado, pelo contrário, é preservar a saúde coletiva dos demais e dele mesmo.

Não assisti a nenhum ato relevante de comemoração pelo aniversário da Proclamação da República. Perdão, não posso dizer que não tenha havido alguns, mas no feriado, procurei programas mais leves e deixei de lado os canais de notícias. Aproveitei para receber e mandar mensagens carinhosas de familiares e amigos diletos. E alegrar-me com as fotos recentes dos bebês da minha família que nasceram neste ano. Oxalá eles encontrem nosso país em melhores condições de paz, justiça e prosperidade quando tomarem as rédeas do destino de nossa sociedade e da pátria amada.