FESTA DO AZEITE DE OLIVA

Agenda deve aproximar comunidade e olivicultura

O cultivo, a produção de azeites, o turismo, a culinária e a inovação serão temas abordados

Crédito: Pérola Polillo

Apresentar aspectos técnicos de modo acessível para qualquer pessoa. Este foi o desafio colocado pela II Festa do Azeite de Oliva a um time de especialistas. Eles irão conduzir uma agenda de oficinas para que a comunidade possa compreender as diferentes etapas da olivicultura – desde o cultivo de oliveiras e a produção de azeites até a aplicação na culinária e, ainda, o potencial turístico das plantações. A série de encontros ocorrerá no sábado, 07 de outubro, a partir das 10h, no Clube União.

O evento, chamado “Azeite do Campo à Mesa”, reunirá em Caçapava o engenheiro agrônomo Fabrício Carlotto; o responsável pela produção de azeite da Estância das Oliveiras, André Goelzer; e a chef de cozinha e sommelier de azeites, Pérola Polillo. A agenda traz, ainda, uma abordagem da inovação científica desenvolvida no Estado, com uma palestra a cargo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Pela manhã, a recepção no ambiente das oficinas será feita pelos alunos do 2º ano do ensino médio do colégio Coeducar. A turma, comandada pela professora de química, Gabriela Abascal, irá mostrar três trabalhos desenvolvidos para a Feira de Ciências da escola, todos criados após uma visita a um olival. Serão apresentados dois produtos (um chá e uma manteiga) e demonstrado um teste de qualidade para identificar a pureza do azeite de oliva.

Das 10h30min às 12h, haverá uma roda de conversa que abordará de forma prática e didática aspectos como o manejo dos pomares, os métodos de produção de azeite na indústria (também chamada de lagar) e como fazer a análise sensorial dos azeites para determinar seu uso na culinária.

“Este é um conteúdo para qualquer pessoa que seja curiosa sobre o universo dos azeites de oliva”, explica Pérola Polillo. Ela acredita que a atividade é importante para que a comunidade amplie a sensação de pertencimento e valorize o azeite extravirgem local.

À tarde, a programação será um pouco mais aprofundada. Às 13h30min, um pesquisador da Unipampa irá abordar como a olivicultura é trabalhada dentro do ambiente acadêmico, com o desenvolvimento de pesquisas científicas e a criação de produtos inovadores. Na sequência, André Goelzer contará a experiência da Estância das Oliveiras, em Viamão. Esta propriedade, que começou em 2004 com 1,5 hectares plantados, hoje é um dos grandes produtores de azeite de oliva do Estado e um caso de sucesso no olivoturismo.

“A família já tinha experiência turística com a Quinta da Estância e fomos, aos poucos, incorporando isso na Estância das Oliveiras. A melhor forma de desenvolver o turismo numa propriedade que produz azeite é essa, gradual”, explica ele, ao apontar que atualmente a renda gerada pelo turismo chega a 2,5 vezes o faturamento dos azeites.

Às 15h30min, quem assume a palavra é Pérola. Ela promete um encontro bastante informal e focado na harmonização dos azeites com a culinária tradicional. “Quando se fala em harmonização, as pessoas pensam em pratos muito elaborados. Mas o que queremos apresentar é como fazer essas combinações dentro de uma rotina alimentar com pratos tradicionais e ingredientes locais. Também vamos falar sobre o ‘terroir’ local que diferencia os azeites de Caçapava”, detalha.

A palestra final será a cargo do agrônomo Fabrício Carlotto. Ele abordará os desafios da implantação de pomares de oliveiras e ressaltará o pioneirismo de Caçapava no atual ciclo de olivicultura brasileira. As primeiras mudas foram plantadas há quase duas décadas e, na avaliação dele, o grande diferencial foi o uso de calcário agrícola. “Este é um ponto em que os produtores não podem errar, e no qual os caçapavanos são privilegiados por estarem próximos das principais fontes de calcário do Rio Grande do Sul”, conclui.

O acesso às oficinas é palestras é gratuito e limitado à capacidade de lugares da sala.

Texto: Clarisse de Freitas/Ascom Festa do Azeite – adaptado