“Festa dos Vizinhos” reúne dezenas de moradores

Pensando em estreitar laços, no domingo (27), os moradores da Rua Aristides Macedo, próximo ao Forte Dom Pedro II, se reuniram para confraternizar. Eles retomaram a “Festa dos Vizinhos”, que não acontecia desde 2013

Por Tisa de Oliveira

Eles compartilham a mesma rua, o mesmo bairro e, nas novelas, são retratados pela relação de amor e ódio. Se nas cidades grandes o sentido de vizinhos foi perdido devido ao medo e à insegurança, nas pequenas, essa relação – embora as rotinas agitadas e os compromissos profissionais preencham os dias – é mais comum, e as pessoas acabam fazendo parte do dia a dia umas das outras.

Pensando em estreitar laços, no domingo (27), os moradores da Rua Aristides Macedo, próximo ao Forte Dom Pedro II, se reuniram para confraternizar. Eles retomaram a “Festa dos Vizinhos”, que não acontecia desde 2013, de acordo com os organizadores, devido aos compromissos pessoais de cada um.

“A retomada serviu para aproximar pessoas amigas, muitas que há algum tempo não conversavam. Na correria do dia a dia, é só um ‘oi, tudo bem?’ Precisamos de mais encontros, afinal, vizinho é uma extensão da nossa família”, diz Maria Alice Garcia, funcionária pública aposentada.

O dia ensolarado contribuiu para o sucesso da festa. O músico e cabeleireiro Derli Trindade, um dos organizadores, conta que todos os moradores contribuíram com o almoço. Cada um levou um espeto de carne, combinaram quem levaria salada e sobremesa, e montaram uma mesa para compartilhar os alimentos na hora da refeição.

Mas o encontro não se limitou à comida. Cedo, os vizinhos já estavam decorando a rua com bandeirinhas, tomando mate e uma caipirinha antes do churrasco ser servido. Teve brinquedo inflável para as crianças e brincadeiras: dança das cadeiras, corrida do saco e concurso de dança. E, é claro, muita música ao vivo. O conjunto foi formado pelos músicos Valmir Amaral, Izomar Macedo, Luiz Roque, Ivanói Brito, Erivelton Trindade, Silvano Henriques e Derli Trindade. No total, 60 pessoas participaram da festança, que chegou à quinta edição.

“Já foram realizadas quatro edições, mas, com o tempo, foi diminuindo até que não foi feita mais. Assim como nas outras vezes, fui de porta em porta convidando os vizinhos. Embora a gente não se visite no dia a dia, a festa faz com que possamos nos reunir. Para o ano que vem, estamos com novas ideias, queremos nos organizar mais cedo. Tivemos 15 dias para mobilizar a vizinhança e preparar tudo. Passamos o dia confraternizando, se divertindo, neste momento especial para nós, que aproxima as pessoas, principalmente depois do período de isolamento provocado pela pandemia, quando não podia nem dar um aperto de mão”, comenta Derli.

Embora o Dia do Vizinho seja comemorado em 23 de dezembro, sempre é tempo de se reunir, confraternizar e compartilhar histórias e lembranças. Para os moradores da Rua Aristides Macedo, os sentimentos despertados pela Festa dos Vizinhos são mais importantes do que a data oficial.

“É uma lembrança muito boa, nos juntávamos com nossos familiares, pais que hoje não estão entre nós. Minha sogra adorava essas festas, a alegria que proporcionavam. No domingo, a movimentação ocorreu, grande parte, em frente à residência dela. O conjunto musical foi montado na calçada da casa dela. São momentos lindos, de integração, de união e muitas risadas. Teve brincadeiras, brindes, e claro, saudades dessas pessoas que um dia participaram destes encontros conosco. São recordações da boa vizinhança, de sentar ao lado de vizinhos queridos, tomar um mate, rir, contar causos. Foi tudo muito bonito. Queremos planejar melhor para o próximo ano”, revela Josiane Santos, professora aposentada.

Foto: Divulgação