Ficando desconfortável

Desde a primeira vez em que ouvi falar no livro, imaginei uma obra típica daquelas para adolescentes, bem estereotipadas. Mas não, ele foi feito para nos tirar o conforto

Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim. (CHBOSKY, 2007)

Ser fã de Harry Potter me fez fã de Emma Watson (a Hermione na adaptação para o cinema). Busco assistir a todos os filmes que ela participe, como “As vantagens de ser invisível”, que é baseado em um livro homônimo. Assim, posso dizer que foi a escolha de Emma para o papel de Sam que me levou a ler a obra (já que gosto de ler os livros antes de assistir às suas adaptações) e me surpreender com o que encontrei.

Estruturada em forma de cartas, a estória se passa no início da década de 1990 e é narrada por um adolescente, Charlie. O mais novo de três irmãos, ele tenta lidar com alguns traumas, ao mesmo tempo em que lida com o nervosismo de ingressar em uma nova etapa: o ensino médio.

Esse é um período de muita insegurança para Charlie. Na escola, as coisas estão diferentes, assim como em casa, e tudo o que ele quer é fazer amigos, desejo que será atendido rapidamente. Na aula de trabalhos manuais, conhecerá Patrick, que lhe apresentará Sam em um jogo de futebol. A partir de então, os três se tornarão inseparáveis.

Nas cartas, enviadas a um destinatário não identificado e que sequer o conhece, Charlie intercala momentos do presente (quando está na escola ou com os amigos) com outros do passado, que se tornaram lembranças dolorosas. Esses escritos também refletem as dificuldades na transição do ensino fundamental para o ensino médio, que são potencializadas pelos traumas que o personagem vivera.

Agora, por que As vantagens de ser invisível me surpreendeu? Desde a primeira vez em que ouvi falar no livro, imaginei uma obra típica daquelas para adolescentes, bem estereotipadas. Mas não. Quem melhor encontrou uma definição pra ele foi o Luiz (estagiário da Gazeta), que me disse que “foi feito para nos tirar o conforto”. E tem toda a razão. As consequências dos traumas vividos por Charlie, as situações por que passa por causa delas, me deixaram uma sensação muito ruim. Ele é escrito para deixar o leitor incomodado e fazê-lo refletir sobre o lera. E o próprio Charlie, no epílogo, apresenta uma reflexão sobre o que lhe acontece. Ao longo da trama, o personagem busca se encontrar, se entender melhor. Não me é possível dizer se conseguiu, mas com certeza aprendeu muitas coisas.

Referência: CHBOSKY, Stephen. As vantagens de ser invisível. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. 224p.