A arma do bandido era escura e maior que um revólver. Ele a encostou no peito de uma das meninas. O susto foi grande. Chamaram a polícia, que lhes perguntou, do alto de sua autoridade: o que estavam fazendo esta hora na rua? Pensam que moram na Finlândia?
Contrariando as normas do bom viver adotadas nas atuais conjunturas em que nos encontramos – de não deixar nada para amanhã –, os projetos de lei que esperávamos serem aprovados de imediato ficaram para depois. Empacaram diante do recesso parlamentar. A Reforma Tributária que iria resolver problemas urgentes – se aprovada pelo Governo – vai ter que esperar até que o Congresso volte a funcionar.
Enquanto isso, as situações que precisam de um atendimento urgente, para evitar novas catástrofes climáticas, ficam sem solução. E assim as medidas de proteção das populações e das áreas atingidas são adiadas, sem data marcada, pois logo após o recesso vai começar a Campanha Eleitoral, que ocupará nossos parlamentares nos palanques de seus protegidos, em veementes discursos de louvores e ataques, que fogem, em muitos casos, da ética e das boas maneiras.
V. Exª. ou V.S.ª, como se chamavam os tribunos, caíram no desuso. Agora é Ladrão, Cara de Pau e outros insultos impróprios, chegando a pancadarias e atentados à vida.
Enquanto isso, crescem assustadoramente os acidentes nas estradas; acidentam-se ônibus escolares, também por falta de manutenção e proteção; caminhões se chocam em meio aos desvios, causando mortes e bloqueios do trânsito. Pontes se quebram ao meio ou nos encaixes. Tudo isso precisa de verbas – assustadoras, é verdade –, mas que têm urgência para serem votadas, a fim de que a vida, o comércio, a indústria, as cidades e principalmente as populações possam ter uma vida digna de cidadãos que pagam seus tributos e têm direito à Segurança, à Saúde, à Educação, aos benefícios criados ou desenvolvidos pela Ciência e chegados até nós pelas facilitações da Tecnologia Moderna.
Mas para que essas áreas vitais deem o seu melhor, é preciso destinar recursos materiais, financeiros e humanos que a subsidiem. E é nesse gargalo que Câmara e Senado se confrontam para decidir a distribuição das verbas advindas dos tributos cobrados aos cidadãos. É então que as alianças políticas vão mostrar o seu caráter, isto é, o que desejam alcançar: o país progredir como nação livre e democrática, onde reine a justiça, a paz e a solidariedade, ou vê-lo continuar no mesmo esquema do Brasil feudal, com servos e senhores. Direitos para uns, deveres para a maioria.
Nem cheguei a abordar as milícias do Rio de Janeiro que criaram um império de terror na Cidade Maravilhosa.
Pois aconteceu, na semana passada, que minhas sobrinhas que moram em Porto Alegre, em edifícios vizinhos – o que é uma bênção –, saíram de seus respectivos trabalhos e combinaram lanchar uma pizza no apartamento de uma delas. Eram umas sete e meia, oito horas – já noite – quando foram assaltadas por um homem branco, grandalhão e assustador. Levou as bolsas e tudo o que havia dentro. Celulares, documentos, controles, chaves… A arma do bandido era escura e maior que um revólver. Ele a encostou no peito de uma das meninas. O susto foi grande. Chamaram a polícia, que lhes perguntou do alto de sua autoridade: o que estavam fazendo esta hora na rua? Pensam que moram na Finlândia?
Moral da história: bandidos livres na rua, e os inocentes trancados em casa. Nas grades!