“Era um mundo de uruguaios e argentinos, acompanhados por uma chusma de castelhaninhos, comendo empada pensando que fosse empanada, tomando mate e falando portunhol, e uma invasão de veteranos nacionais percorrendo o litoral”
Neste ano da graça de 2025, fui passar a entrada do Ano Novo na praia do Cassino. Ventania, friagem e água fria, deveria ter levado o meu poncho uruguaio, campomar. Mas foi bom, pelas companhias e pela saída da rotina de aposentado veterano, fora de casa, vendo gente e lugares diferentes daqueles que costumamos ver todos os dias.
Esse termo “veterano” foi inventado pelo comando do Exército Brasileiro para designar aqueles que já foram para a reserva, isto é, os aposentados. Eu não gosto deste nome, porque sempre soube que veterano é a designação que se dá para quem participou de alguma guerra: veterano do Paraguai, veterano da FEB, etc.
Mas como eu não mando mais nada, não tenho acesso e nem falo com ninguém que esteja mandando, esta minha opinião não vale nada. Vale tanto quanto a opinião de um tenente-coronel da ativa, não veterano ainda, no caso o TC Cid, ajudante de ordens do Bolsonaro, através das redes sociais particulares, a respeito dos boatos ou até desejos para que houvesse um golpe de Estado.
Para quem não conhece ou não está afeito as coisas da caserna, eu afianço: soldado não dá pitaco em comportamento de sargento; sargento não dá pitaco em comportamento de oficial; oficial não dá pitaco para atitudes de general, e muito menos para o Presidente da República.
Comentar e trocar mensagens com outros do seu círculo, isso acontece, e muito frequentemente. Eu, por exemplo, veterano desde 2001, saí de um grupo de contemporâneos no WhatsApp porque eles enchiam as páginas do grupo apregoando a necessidade do golpe em 2020, inclusive, rotulando o então presidente como fraco, frouxo, etc. É assim que funciona, e o resto é conversa pra boi dormir, patifaria da grossa.
E voltando ao assunto das praias, agora no fim da temporada, fui mais para o Norte, pra lá de Porto Alegre, onde fazia tempo que não ia. Já tendo se iniciado o ano letivo, depois de uma queda de braço entre o Governo do Estado e a Justiça por causa do calor extremo e suas consequências para o bem-estar dos alunos e professores. Quiseram até convencer uma meritíssima juíza que nossas escolas estaduais são de primeiro mundo e de que, se atrasassem o inicio das aulas por quatro dias, o ano escolar ficaria seriamente prejudicado. Que coisa, não?
Mas então, era um mundo de uruguaios e argentinos, acompanhados por uma chusma de castelhaninhos, comendo empada pensando que fosse empanada, tomando mate e falando portunhol, e uma invasão de veteranos nacionais percorrendo o litoral.
Voltei pra casa bem faceiro: primeiro, porque no meio daquela velharada toda, me avaliei quase um guri, caminhando, tomando cerveja e até pagando alguns micos em família, naqueles tobogãs do Acqua Lokcos, ali depois de Capão. Ah, e também na montanha russa, que eu nunca havia andado, com direito a um friozinho na barriga e alguns gritos histéricos pra desopilar. Segundo, porque ainda estou vivo, na cancha para fechar os 75 e com boas energias pra queimar. O fim da temporada é para os fracos, não para mim que ainda surfo na esperança.