É possível que, em grande parte das lembranças de matrimônios, a figura de Antônio César Oberto esteja presente, já que foi ele quem, por 41 anos, oficializou a união de muitos casais no município
Por Luiz Felipe de Oliveira
O casamento é um dos momentos mais importantes da vida de boa parte da população. É um evento que, antes mesmo da data ser marcada, é planejado com todo o cuidado, para que seja inesquecível, uma memória que representa a celebração do amor entre duas pessoas.
Em Caçapava, é possível que grande parte das lembranças de matrimônios conte com a figura de Antônio César Oberto, já que foi ele quem, por 41 anos, oficializou a união de muitos casais.
Seu Antônio, como costumam chamá-lo, se aposentou como juiz de paz do município em 06 de fevereiro deste ano. Sua carreira começou em 1983, quando foi convidado pela responsável pelo Cartório de Registros da época, Dona Nilzinha Dorneles, para ser o 1° suplente de Delfino Albarnaz. Em 2006, quando já havia realizado vários casamentos, assumiu a titularidade.
Além de sua atuação como juiz de paz, em 1995, Antônio foi membro da diretoria e do conselho do Hospital de Caridade Dr. Victor Lang (HCVL), junto de Nélio Alves, Tio Jaime (então presidente) e Ciro Duarte. Em 1999, foi eleito presidente da instituição, na qual atuou por dois anos.
Após sua gestão no HCVL, foi presidente do Grupo de Arte Nativa Os Chimangos, participando da organização da I Festa Mundial do Folclore. Ocupou, ainda, cargos na diretoria do Clube União Caçapavana, incluindo o de presidente, entre 2005 e 2011. Seu envolvimento comunitário inclui também a fundação do Rotary Club Sentinela, entidade que presidiu e da qual foi representante no Conselho Municipal de Saúde.
Questionado sobre o que o motivou trabalhar em prol do social, o ex-juiz de paz respondeu:
– Quando servi no Exército, tive muita orientação de oficiais sobre como servir e beneficiar o nosso país. Na época, o quartel cedia salas para que pessoas carentes e analfabetas pudessem estudar, e acabei me envolvendo nesse trabalho. Então, aprendi que, se temos possibilidade, devemos ajudar ao próximo – disse.
É claro que, durante sua carreira como juiz de paz, se passaram muitos fatos curiosos. Dentre eles, Antônio destacou a vez em que um noivo não apareceu para o casamento, e ele teve que explicar a situação para a noiva que o esperava.
– Expliquei a situação para ela, com toda a calma, e a convenci a ir embora. Disse que conversasse com ele para se resolverem e, se precisasse, marcaríamos um novo casamento. Nossa, em mim, doeu muito ver o desespero da menina – relatou.
Outro caso contado por Antônio foi o de um casamento realizado no Presídio, dentro da cela com os noivos e duas testemunhas.
– Chega a doer na alma da gente ter que entrar em uma cela. Além disso, quando entrei, o agente passou a chave na tranca. Me senti muito deprimido. Depois dessa experiência, pedi para não fazer mais casamentos dentro do Presídio – revelou.
Ao final da entrevista, o ex-juiz de paz comentou também avanços na profissão que presenciou ao longo dos 41 anos no cargo. Foi ele quem realizou o primeiro casamento homoafetivo de Caçapava. De acordo com Antônio, após este, celebrou mais três matrimônios de casais do mesmo sexo.
– Foram casamentos muito bonitos e fantásticos. Eu gostei muito de fazê-los – finalizou.